Por Cláudio da Costa Oliveira janeiro 2026
Durante décadas repetimos dogmas antigos como se fossem leis naturais:
capital é poder, exército é soberania, guerra resolve disputas estratégicas.
Nada disso descreve o mundo real de hoje.
O capital perdeu o trono
Capital deixou de ser fator decisivo de produção.
Hoje ele é abundante, móvel e barato. Quem tem projeto capta. Quem não tem, desperdiça.
O verdadeiro gargalo passou a ser outro:
Energia barata, abundante, contínua e confiável.
Sem energia:
Não há indústria
Não há dados
Não há tecnologia
Não há soberania
A história recente confirma isso, mas insistimos em ignorar.
O poder militar virou custo, não solução
Os impérios do passado conquistavam territórios.
Os do presente quebram tentando mantê-los.
Tropas de ocupação:
Custam caro
Não produzem riqueza
Geram resistência
Corroem legitimidade
Os russos aprenderam isso no Leste Europeu.
Os americanos aprenderam no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão.
A China aprendeu observando — e fez o oposto.
A China entendeu o jogo
A China não invade.
Não ocupa.
Não administra territórios hostis.
Ela compra.
Compra: energia, minas, portos, empresas, cadeias produtivas
Usa capital estrangeiro (inclusive americano), planejamento estatal, energia barata e mão de obra competitiva.
Resultado?
Produz mais barato do que qualquer outro país e domina a indústria global sem disparar um tiro.
Isso é poder real.
Os EUA sabem disso — e reagiram tarde
Os Estados Unidos sabem que perderam hegemonia industrial.
Sabem que erraram ao transformar guerra em política econômica.
Sabem que financiaram, involuntariamente, o crescimento do seu maior rival.
Por isso:
Tentam reindustrializar
Tentam reorganizar cadeias
Tentam recuperar segurança energética
Mas agora jogam na defensiva.
Venezuela não é o alvo. É o recado.
O petróleo venezuelano é: pesado, caro, ambientalmente problemático, de uso limitado
Não resolve o problema energético de ninguém.
Então por que tanta pressão?
Porque não se trata da Venezuela.
Trata-se de sinalizar que energia voltou ao centro da geopolítica.
O verdadeiro prêmio chama-se Brasil
Poucos países no mundo concentram:
- petróleo de boa qualidade
- hidrelétrica em larga escala
- eólica e solar competitivas
- biomassa
- potencial de hidrogênio verde
- estabilidade territorial
- ausência de conflitos armados
O Brasil concentra tudo isso.
Isso não é detalhe. É raridade estratégica.
A nova dominação não usa tanques
Não é preciso guerra para controlar energia.
Basta:
- acordos políticos
- financiamento
- participação acionária
- influência regulatória
- controle tecnológico
- governança corporativa
Sem tiros.
Sem ocupação.
Sem manchetes.
É mais barato, mais eficiente e mais duradouro.
A disputa não é Brasil x EUA
A disputa é outra:
Quem controla a energia brasileira.
Quem decide:
- para quem vendemos
- a que preço
- com que contrapartidas
- com qual grau de industrialização nacional
O Brasil pode ser: protagonista energético ou plataforma energética de terceiros.
Isso não se decide no discurso.
Decide-se em estratégia, planejamento e soberania real.
Conclusão
Energia é o novo poder.
Guerra é o velho erro.
O Brasil é o ativo crítico.
Quem não entender isso continuará discutindo ideologia enquanto outros assinam contratos.
Sugestões, opiniões, criticas: soberanobrasiles@gmail.com