FALA SÉRIO 117 –  ENERGIA É PODER. O BRASIL É PRÊMIO

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Por Cláudio da Costa Oliveira janeiro 2026

Durante décadas repetimos dogmas antigos como se fossem leis naturais:
capital é poder, exército é soberania, guerra resolve disputas estratégicas.
Nada disso descreve o mundo real de hoje.

O capital perdeu o trono

Capital deixou de ser fator decisivo de produção.
Hoje ele é abundante, móvel e barato. Quem tem projeto capta. Quem não tem, desperdiça.

O verdadeiro gargalo passou a ser outro:

Energia barata, abundante, contínua e confiável.

Sem energia:

Não há indústria

Não há dados

Não há tecnologia

Não há soberania

A história recente confirma isso, mas insistimos em ignorar.

O poder militar virou custo, não solução

Os impérios do passado conquistavam territórios.
Os do presente quebram tentando mantê-los.

Tropas de ocupação:

Custam caro

Não produzem riqueza

Geram resistência

 Corroem legitimidade

Os russos aprenderam isso no Leste Europeu.
Os americanos aprenderam no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão.

A China aprendeu observando — e fez o oposto.

A China entendeu o jogo

A China não invade.
Não ocupa.
Não administra territórios hostis.

Ela compra.

Compra: energia, minas, portos, empresas, cadeias produtivas

Usa capital estrangeiro (inclusive americano), planejamento estatal, energia barata e mão de obra competitiva.

Resultado?
Produz mais barato do que qualquer outro país e domina a indústria global sem disparar um tiro.

Isso é poder real.

Os EUA sabem disso — e reagiram tarde

Os Estados Unidos sabem que perderam hegemonia industrial.
Sabem que erraram ao transformar guerra em política econômica.
Sabem que financiaram, involuntariamente, o crescimento do seu maior rival.

Por isso:

Tentam reindustrializar

Tentam reorganizar cadeias

Tentam recuperar segurança energética

Mas agora jogam na defensiva.

Venezuela não é o alvo. É o recado.

O petróleo venezuelano é: pesado, caro, ambientalmente problemático, de uso limitado

Não resolve o problema energético de ninguém.

Então por que tanta pressão?

Porque não se trata da Venezuela.
Trata-se de sinalizar que energia voltou ao centro da geopolítica.

O verdadeiro prêmio chama-se Brasil

Poucos países no mundo concentram:

  • petróleo de boa qualidade
  • hidrelétrica em larga escala
  • eólica e solar competitivas
  • biomassa
  • potencial de hidrogênio verde
  • estabilidade territorial
  • ausência de conflitos armados

O Brasil concentra tudo isso.

Isso não é detalhe. É raridade estratégica.

A nova dominação não usa tanques

Não é preciso guerra para controlar energia.

Basta:

  • acordos políticos
  • financiamento
  • participação acionária
  • influência regulatória
  • controle tecnológico
  • governança corporativa

Sem tiros.
Sem ocupação.
Sem manchetes.

É mais barato, mais eficiente e mais duradouro.

A disputa não é Brasil x EUA

A disputa é outra:

 Quem controla a energia brasileira.

Quem decide:

  • para quem vendemos
  • a que preço
  • com que contrapartidas
  • com qual grau de industrialização nacional

O Brasil pode ser: protagonista energético ou plataforma energética de terceiros.

Isso não se decide no discurso.
Decide-se em estratégia, planejamento e soberania real.

Conclusão

Energia é o novo poder.
Guerra é o velho erro.
O Brasil é o ativo crítico.

Quem não entender isso continuará discutindo ideologia enquanto outros assinam contratos. 

Sugestões, opiniões, criticas: soberanobrasiles@gmail.com 

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