Parceria com Cellcentric reforça foco em caminhões, enquanto Mirai segue irrelevante
Apesar do desempenho comercial discreto do Toyota Mirai, a Toyota segue apostando no hidrogênio, mas agora com foco cada vez mais distante dos carros de passeio.
A montadora japonesa quer ampliar sua presença nesse segmento ao se tornar a terceira acionista da Cellcentric, empresa alemã fundada em 2021 e atualmente controlada pela Daimler Truck e pelo Volvo Group. As quatro companhias assinaram um memorando de entendimento não vinculante para colaborar no desenvolvimento de tecnologia de células de combustível, com a Toyota trazendo três décadas de experiência.
Se o acordo for concluído, as três acionistas terão direitos iguais, com o objetivo comum de desenvolver, produzir e comercializar sistemas de célula de combustível para veículos pesados e outras aplicações de alta demanda.

Tecnologia já roda, e com números relevantes
A tecnologia da Cellcentric já está próxima da aplicação comercial. Um par de células de combustível BZA150 vai equipar uma série limitada do caminhão Mercedes-Benz NextGenH2, com início de produção previsto para o fim deste ano.
Cada unidade entrega 150 kW e utiliza hidrogênio líquido armazenado em dois tanques com capacidade total de até 85 kg. A energia gerada alimenta uma bateria LFP de 101 kWh, que por sua vez move o eixo traseiro elétrico, herdado do eActros 600, com potência de até 496 cv (370 kW). Na prática, funciona como um elétrico com extensor de autonomia, só que sem tomada.
Em testes realizados em 2023, um caminhão de 40 toneladas equipado com esse sistema percorreu cerca de 1.047 km com um único abastecimento, colocando a tecnologia em nível comparável ao diesel. O reabastecimento leva entre 10 e 15 minutos, segundo a Mercedes-Benz.

Toyota também avança com nova geração
A Toyota também vem evoluindo sua própria tecnologia. Em 2024, a empresa revelou a terceira geração de sua célula de combustível, com ganhos em potência e eficiência, além de redução de peso e tamanho.
Assim como a Cellcentric, a marca afirma que o novo sistema pode alcançar desempenho comparável ao de motores a diesel, com a vantagem de não emitir poluentes e exigir pouca manutenção.
Paralelamente, a Cellcentric trabalha em sua próxima geração de sistemas, chamada NextGen. A meta é atingir até 375 kW de potência contínua, mais que o dobro do atual BZA150. Também estão previstos avanços como redução de 20% no consumo de hidrogênio, além de cortes de 40% no calor residual e na complexidade do sistema, enquanto a densidade de potência deve aumentar na mesma proporção.

Os avanços são relevantes para o transporte pesado, mas esbarram em um obstáculo conhecido: a infraestrutura.
A rede de abastecimento de hidrogênio ainda é extremamente limitada, tanto em comparação com postos de diesel quanto com a rede de carregamento rápido para veículos elétricos.
É justamente aí que o hidrogênio continua travando. E isso ajuda a explicar a mudança de direção: o interesse segue vivo, mas cada vez mais concentrado em aplicações onde a infraestrutura pode ser controlada.
Fonte https://insideevs.uol.com.br/