Pacote de medidas antidumping (taxa extra sobre a importação para corrigir preços reduzidos artificialmente) anunciado pelo governo federal pode destravar investimento em laminador de tiras a frio da ArcelorMittal

Um pacote de medidas antidumping (taxa extra sobre a importação para corrigir preços reduzidos artificialmente) anunciado pelo governo federal pode destravar R$ 4 bilhões em investimentos da ArcelorMittal Brasil no Espírito Santo. É o investimento em um laminador de tiras a frio que estava em compasso de espera, em função dos preços. A Camex (Câmara de Comércio Exterior do governo federal) decidiu sobretaxar a importação de certos tipos de aço vindos da China. O aço chinês chega ao Brasil, desde a pandemia, com preços artificialmente abaixo do custo normal, prejudicando a indústria local.
O Instituto Aço Brasil classificou a decisão como “oportuna e necessária”. A entidade lembrou que, só em 2025, as importações de laminados cresceram 20,5% e chegaram a 5,7 milhões de toneladas — 63,7% vindas da China. Para o setor, não era mais competição comum de mercado, mas uma entrada maciça de aço barato pressionando as siderúrgicas nacionais.
O Espírito Santo abriga uma das maiores plantas siderúrgicas do continente. Quando o aço importado chega mais barato que o produzido aqui, a indústria local perde previsibilidade, reduz produção e adia investimentos. A medida tenta equilibrar o jogo: não proíbe importar, mas corrige a diferença de preço.
Esse foi exatamente o motivo de a ArcelorMittal segurar o projeto do laminador de tiras a frio em Tubarão. O equipamento é para produzir aço mais sofisticado, com aplicação em montadoras de carros e fabricantes de eletrodomésticos. Sem proteção comercial, ampliar produção significaria competir diretamente com material estrangeiro vendido abaixo do valor considerado normal. Ou seja, deixa sem sentido o investimento bilionário.
Se a nova regra estabilizar o mercado de fato, o investimento da ArcelorMittal volta a fazer sentido econômico. E o impacto vai além da usina: envolve fornecedores industriais, logística portuária, serviços técnicos e arrecadação. Na prática, uma decisão de comércio exterior pode se transformar em empregos e crescimento para a economia capixaba. A empresa informou que não vai se pronunciar sobre o assunto.
Laminador da ArcelorMittal
O projeto de laminador de tiras a frio da ArcelorMittal Brasil é, basicamente, a instalação de uma nova linha industrial dentro do complexo de Tubarão para transformar placas de aço em chapas muito mais finas, lisas e precisas. Hoje, boa parte desse material vem de fora ou se produz em outras regiões. Ou seja, com o laminador, a produção passaria a ser no próprio Espírito Santo. Do mesmo modo, cada tonelada ganharia muito mais valor econômico ao longo da cadeia produtiva.
O impacto econômico é grande porque não se trata apenas da obra da usina. Um investimento estimado em cerca de R$ 4 bilhões movimenta fornecedores, engenharia, manutenção, transporte e o porto. Além disso, gera empregos diretos e indiretos e aumenta a arrecadação. Pela proporção industrial desse tipo de unidade da ArcelorMIttal, o efeito multiplicador é extremamente alto.
O aço de maior valor agregado ativa montadoras, fabricantes de eletrodomésticos, autopeças e metalmecânica. Ou seja, cria um círculo de produção local. Na prática, o Estado deixa de exportar só produto básico e passa a reter riqueza. Nesse sentido, cada etapa adicional de transformação industrial fica no Espírito Santo, ampliando renda, impostos e atividade econômica por muitos anos.
Fonte https://www.folhavitoria.com.br/