Na península cercada por dunas, os moradores e visitantes circulam o local a pé, de charrete ou buggy entre o rio e o mar

Quem chega ao Porto de Pratagil precisa deixar o carro no continente e dali em diante, Galinhos só começa a aparecer depois de uma travessia de barco que dura cerca de 12 minutos. Do outro lado do vilarejo, o asfalto se transforma em caminhos de areia e o percurso se segue em charretes, buggies ou a pé
A mudança de ritmo acontece a cerca de 160 quilômetros de Natal, no litoral centro-norte do Rio Grande do Norte. Com pouco mais de 2 mil moradores, a vila ocupa uma península estreita entre o Oceano Atlântico e o Rio Aratuá, cercada por
dunas móveis, manguezais e áreas de produção de sal.
Geografia influencia o cotidiano do vilarejo
A posição da vila explica por que barcos continuam sendo a principal porta de entrada. O mar limita um lado da península, o rio ocupa o outro e as dunas dificultam a ligação por terra. Por isso, visitantes estacionam em Pratagil e seguem pelo braço de mar até o povoado.
Dentro de Galinhos, a areia se une às ruas pavimentadas. A vila é
compacta, o que permite percorrer boa parte do centro caminhando. Já os trajetos mais longos costumam ser feitos de buggy ou charrete, sobretudo quando o roteiro inclui dunas e áreas mais afastadas.

Nome proveniente da pesca
Os primeiros registros citados pela prefeitura relacionam a região às terras do padre jesuíta João de Melo, superior da Aldeia de Guajiru, no antigo Porto de Galos. Mais tarde, pescadores chegaram atraídos pela presença de peixes-galo menores que o tamanho habitual.
O apelido “galinhos” acabou ligado ao povoado. Em 1963, o município se separou de São Bento do Norte e conquistou a emancipação. Desde então, o isolamento geográfico ajudou a manter um cotidiano diferente do encontrado em destinos costeiros mais urbanizados.
Farol se une a paisagem do vilarejo
Na extremidade leste da península, o Farol de Galinhos acompanha o encontro do rio com o mar desde 1931. A torre de 13 metros pertence à Marinha do Brasil e foi o oitavo farol construído no litoral potiguar.
Durante a obra, um erro de cálculo exigiu a criação de uma varanda extra para sustentar a lanterna. O ajuste deixou a torre branca, marcada por uma faixa vermelha, com um formato próprio. Quando a maré sobe, a água alcança a plataforma, reforçando o aspecto isolado da construção.
Dunas, sal e mangue
Além da Praia de Galinhos, o município reúne as Dunas do Capim e as Dunas do André. Os passeios de buggy atravessam formações móveis de areia e abrem a vista para parques eólicos, salinas e trechos da península.
As montanhas brancas de sal também mudam a paisagem. Vistas de longe, elas contrastam com o céu e o verde do manguezal. Já a Vila de Galos, povoado vizinho, pode ser alcançada por barco ou por caminhada pela areia.
Passeios seguem pelo rio
No Rio Aratuá, os barcos entram pelas gamboas do manguezal e passam por áreas onde aparecem cavalos-marinhos, siris e caranguejos. Algumas rotas incluem paradas nas salinas e bancos de ostras, com os moluscos servidos em barracas flutuantes.
A Lagoa de Catanduba amplia o roteiro com pesca em jangada, trilhas leves e os famosos passeios de buggy. Quem prefere uma passagem mais calma pelo mangue, a canoagem é uma boa opção.
Melhor época de visitação
O clima permanece quente durante o ano, enquanto as chuvas se concentram entre março e julho. O segundo semestre tende a ser mais seco e favorece caminhadas nas dunas e passeios de barco.
Saindo de Natal, o caminho segue pela BR-406 e depois pela RN-402 até Pratagil. A viagem rodoviária leva cerca de duas horas. Depois, a curta travessia entrega ao visitante uma vila onde o próprio acesso ajuda a explicar a permanência das ruas de areia, do farol solitário e da vida voltada para o rio e o mar.
Fonte https://www.diariodolitoral.com.br/