Campanha abordou a prevenção da violência contra idosos e promoveu iniciativas de conscientização e acolhimento em diferentes comunidades

Campanha do Quebrando o Silêncio 2026 com membros da IASD Campo Bom-RS. (Foto: arquivo pessoal)
O Quebrando o Silêncio mobilizou igrejas da Associação Norte do Rio Grande do Sul (ANRS) em ações de conscientização e cuidado com os idosos durante o último sábado (22). Neste ano, com o tema “Idosos em Risco: a violência que atinge quem mais precisa de cuidado”, a campanha chamou a atenção para situações de violência e negligência contra a terceira idade.
Além das programações nas igrejas, as comunidades realizaram visitas a asilos, palestras, serenatas, chás com idosos, distribuição de materiais e ações em escolas, praças e bairros. Dessa forma, o levantamento da ANRS reúne iniciativas de diferentes distritos e ministérios e mostra a amplitude da mobilização.

Membros envolvidos nas açoes do Quebrando o Silêncio 2026. (Foto: arquivo pessoal)
Quebrando o Silêncio
O foco deste ano levou as igrejas a ampliarem a abordagem tradicional da campanha. Assim, além de informar sobre a violência, as ações buscaram valorizar a história, a dignidade e a contribuição dos idosos.
Para a professora Débora Abrascio, líder do Ministério da Mulher e AFAM da ANRS, a temática mobilizou as comunidades de maneira especial. “Além das mensagens e momentos de conscientização, muitas comunidades foram além e realizaram ações concretas de cuidado e valorização dos idosos”, destaca.
Entre essas iniciativas, as igrejas realizaram visitas a lares de idosos, hospitais e instituições, além de ações com membros da própria congregação. Segundo Débora, essas experiências demonstraram que a campanha ultrapassou o discurso. “Foi muito bonito perceber que o tema não ficou apenas nas palavras: transformou-se em atitudes de amor e cuidado”, relembra.

Comunidade recebe orientação
Em Sapiranga, por exemplo, a programação ganhou uma abordagem multidisciplinar. No dia 22 de agosto, o Espaço Sicredi, no bairro São Luiz, recebeu uma tarde de informação, acolhimento e orientação para idosos, familiares, cuidadores e comunidade.
Para ampliar a abordagem, profissionais de diferentes áreas participaram do encontro. A psicóloga Priscila Rochadel, especialista em envelhecimento e violência psicológica e espiritual, abordou a saúde emocional e a violência psicológica.
Além dela, também participaram Arisay Diaz, médica da família especializada em idosos; Silvana Belito, terapeuta de família; Ezequiel, da área de segurança pública; Vani Webber, advogada; e Rosemere Fernandes, assistente social.
Durante a programação, os profissionais trataram de temas como cuidados com a saúde, relações familiares, prevenção de golpes, direitos da pessoa idosa, legislação e caminhos para buscar ajuda. Para Priscila, situações como solidão, abandono, humilhação e medo podem esconder sofrimentos que nem sempre as pessoas percebem. “O Quebrando o Silêncio também é cuidar da saúde emocional do idoso”, afirma.
Além disso, a psicóloga ressalta que ouvir e acolher são atitudes fundamentais para identificar situações de violência. “Envelhecer não significa perder o direito, o respeito, de ser ouvido, de ser protegido.” Segundo ela, a igreja também pode atuar como uma rede de proteção. “Quando a gente escuta, acolhe e age, o silêncio deixa de ser um sofrimento e passa a ser um lugar de esperança”, explica.

Respeito e valorização
Para Maria Aparecida Batista, líder do Ministério da Mulher local, a escolha do tema trouxe à discussão uma realidade que ainda recebe pouca atenção. “Sabemos da violência praticada contra os idosos, mas pouco se fala desse assunto.” Ela também destaca que a campanha não trata somente da violência, mas sobre “se colocar no lugar deles e lembrar que eles já estiveram no nosso lugar”, conscientiza.
Além disso, a líder acredita que o respeito aos idosos precisa ser resgatado. Para ela, reconhecer a história e o legado dessas pessoas também faz parte do cuidado promovido pela igreja.
Essa percepção também apareceu entre os participantes da programação. Rodrigo Trucolo, membro da igreja local, avaliou o encontro como uma oportunidade de colocar a fé em prática. “O Quebrando o Silêncio é um evento de suma importância, pois dá voz a pessoas que precisam de cuidado e proteção”, enfatiza.
Para Rodrigo, além disso, a campanha representa uma expressão prática do evangelho. “Assim como Jesus Cristo saía em defesa dos que Dele precisavam, nós hoje somos chamados para oferecer esperança e o amor de Jesus”, afirma.

Ações aproximam igreja e comunidade
Além das palestras e momentos de conscientização, a mobilização também proporcionou contato direto com idosos. Vanderlei Ravadeli, membro da igreja, participou de uma visita a um asilo e conta que a experiência foi marcada pela receptividade dos moradores.
Segundo ele, os idosos demonstraram alegria durante o encontro e pediram que os voluntários retornassem outras vezes. Além disso, compartilharam histórias e perguntaram sobre a ação realizada pela igreja. “Ficaram felizes e disseram que temos que cuidar dos idosos”, lembra.
Em diferentes regiões da ANRS, outras comunidades também planejaram ações semelhantes. Em Carazinho, por exemplo, jovens foram mobilizados para visitar um asilo, realizar uma serenata e entregar materiais. Já em Passo Fundo, as equipes visitaram idosos acamados e instituições e realizaram serenatas nas residências.
Além dessas iniciativas, também houve ações em escolas, praças e comunidades. Dessa forma, a campanha alcançou diferentes públicos e envolveu ministérios como Mulher, Jovens, Desbravadores, Aventureiros, Família, Saúde e Ancionato.

Rede de apoio e cuidado
Para Débora Abrascio, a mobilização reforça a responsabilidade da igreja diante das necessidades dos idosos.
Mais do que identificar situações de violência, a proposta busca criar ambientes de escuta, proteção e pertencimento. Nesse contexto, ao combater o silêncio e promover espaços de acolhimento, a igreja busca oferecer não apenas informação, mas também esperança, dignidade e amor cristão.
Fonte https://noticias.adventistas.org/