Concessão federal destrava investimentos bilionários em corredor estratégico do Centro-Oeste, com promessa de modernização logística, adoção de pedágio eletrônico, obras aceleradas e impactos diretos no escoamento do agronegócio goiano, na segurança viária e na geração de empregos ao longo de três décadas de contrato.
A concessão das BRs 060 e 452 em Goiás entrou em uma nova fase após o leilão do corredor conhecido como Rota Verde, com previsão de investimentos de quase R$ 7 bilhões ao longo de 30 anos para modernizar 426,2 km entre Goiânia, Rio Verde e Itumbiara.
A mudança de modelo, que transfere a gestão do trecho para a iniciativa privada sob regulação federal, mira um ponto sensível do escoamento do agronegócio.
Reduzir risco, tempo e custo em uma rota dominada por caminhões e tráfego intenso está no centro da estratégia.
Nos últimos anos, o projeto passou a ser apresentado como vitrine de atualização tecnológica, com previsão de cobrança por pedágio eletrônico no sistema free flow, sem cancela.
A implantação, porém, está condicionada a etapas regulatórias e é tratada como prevista para 2026, não como algo já em operação permanente.

Concessão das BRs 060 e 452 em Goiás prevê R$ 7 bilhões, pedágio eletrônico e obras que prometem mudar a logística do agro.
Planejadas para conectar áreas de produção a centros consumidores e rotas de exportação, as BRs 060 e 452 formam um eixo que atravessa um dos trechos mais dinâmicos do Centro-Oeste.
Com o avanço da fronteira agrícola e a intensificação do transporte rodoviário, a infraestrutura passou a conviver com aumento de demanda sem ganho proporcional de capacidade e segurança.
Ao longo do tempo, a combinação de pavimento castigado, sinalização irregular e trechos com desenho pouco compatível com o fluxo moderno ampliou o custo do deslocamento e elevou o risco de acidentes.
Problemas de geometria e de condição do pavimento impactam diretamente a eficiência do transporte, sobretudo em rotas com predominância de cargas.
Enquanto isso, o peso econômico da região só aumentou.
Goiás consolidou posição relevante na produção de grãos e registrou 37,3 milhões de toneladas na safra 2024/25, segundo dados divulgados pelo governo estadual.
Quando a infraestrutura de saída não acompanha esse ritmo, o impacto aparece no custo do frete, no tempo de viagem e na previsibilidade das entregas.
Concessão da Rota Verde e novo modelo de gestão
A virada veio com a concessão federal do trecho BR-060/452/GO.
O leilão ocorreu na B3 em dezembro de 2024 e foi vencido pelo consórcio Rota Verde Goiás, com contrato de 30 anos e expectativa de um pacote de investimentos próximo de R$ 7 bilhões para modernização e ampliação do sistema rodoviário.
O desenho do projeto inclui recuperação e manutenção contínuas, além de intervenções para elevar capacidade e segurança.
Duplicações e faixas adicionais em trechos previstos, retornos mais seguros e passarelas fazem parte das obrigações contratuais.
A proposta também incorpora atendimento ao usuário, com estrutura operacional voltada a emergências e suporte permanente na rodovia.
Em 2025, a concessionária passou a divulgar que o trecho entrou em operação com serviços 24 horas.
Equipes e frota de apoio tendem a reduzir o tempo de resposta a ocorrências e minimizar bloqueios prolongados.
A operação completa foi anunciada para começar em outubro de 2025, marco usado para sinalizar o início de uma nova rotina de assistência no corredor.
Pedágio eletrônico free flow e conectividade
Um dos pilares mais citados do projeto é o pedágio sem praça física, no modelo free flow, em que câmeras e sensores identificam a passagem do veículo.
A cobrança é tratada como prevista para 2026, após validações e parâmetros a serem aprovados pela agência reguladora.
Outra aposta é a conectividade ao longo do traçado.
Em 2025, foi anunciada parceria para levar cobertura 4G aos 426,2 km do corredor.
A infraestrutura atende demandas de comunicação e segurança e também requisitos tecnológicos associados ao free flow.
Impactos diretos para o agronegócio goiano

Na prática, o impacto mais imediato para quem depende da rota tende a aparecer em previsibilidade e segurança.
Menos buracos e melhor sinalização reduzem dano a veículos, atrasos e interrupções.
Esses fatores pesam especialmente no transporte de grãos, insumos e proteína animal em períodos de safra e entressafra.
A logística é parte relevante do custo final do produto.
Corredores com alto fluxo de caminhões sofrem mais rapidamente quando há excesso de peso, manutenção irregular e gargalos urbanos.
A promessa do pacote de obras é diminuir trechos críticos e organizar o tráfego.
Isso ajuda a tornar mais estável o tempo de deslocamento entre polos produtivos e entroncamentos rodoviários.
Também há expectativa de efeitos no mercado de trabalho ao longo do contrato.
Empregos diretos e indiretos ligados a obras, operação e serviços associados estão previstos para o período de concessão.
Ao mesmo tempo, a execução do cronograma e a forma de cobrança do pedágio entram como fatores centrais para medir o custo-benefício percebido por transportadores e produtores.
A chegada do free flow, se confirmada dentro das regras, pode reduzir filas e tornar o tráfego mais fluido.
O impacto no bolso depende de tarifa, descontos aplicados e do comportamento real do tráfego ao longo do tempo.
Com um corredor que concentra parte relevante do escoamento goiano e um novo modelo de gestão em implementação, como caminhoneiros, produtores e moradores das cidades cortadas pela BR-060 e pela BR-452 vão avaliar, na rotina, o equilíbrio entre obras, pedágio e ganhos de segurança?
Fonte https://clickpetroleoegas.com.br/