Genética pesa mais na longevidade que hábitos de vida, sugere estud

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Pesquisa indica que a genética responde por 55% da capacidade de envelhecer com saúde, número bem acima do estimado por estudos anterio

A genética pode ter um papel muito maior do que se imaginava na forma como as pessoas envelhecem. Um estudo publicado nesta sexta-feira (31/1) na revista científica Science aponta que fatores genéticos respondem por cerca de 55% da longevidade, enquanto hábitos de vida, como alimentação e prática de atividade física, teriam um peso menor do que o estimado até agora.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, e analisou dados de saúde de irmãos gêmeos. Esse novo cálculo contraria as estimativas anteriores, que apontavam uma influência genética de, no máximo, 25% na longevidade.

Diferente de outros trabalhos, o estudo não coletou dados inéditos. Os pesquisadores aplicaram uma nova abordagem estatística em bancos de dados que já existiam, usados em pesquisas de coorte feitas em países diferentes. A proposta foi revisar a forma como os números eram interpretados ao longo dos anos.

Mortes “acidentais” distorciam os resultados

Os pesquisadores apontaram que estudos anteriores colocaram no mesmo grupo mortes de naturezas muito diferentes. Óbitos causados por acidentes ou por doenças infecciosas, por exemplo, não refletem a influência do DNA sobre o envelhecimento da mesma forma que mortes provocadas por doenças crônicas.

Já o câncer e problemas cardiovasculares, por outro lado, estão mais ligados a fatores biológicos e genéticos, o que torna esse tipo de comparaçã

Além disso, no início do século 20, mortes por infecções e acidentes eram muito mais comuns do que hoje. Analisando dados antigos com os mesmos critérios usados para os registros atuais, as pesquisas acabaram diminuindo a participação da genética nos resultados.

Gêmeos criados separados diferenciam genética e ambiente

Um dos principais conjuntos de dados usados no estudo foi o Swedish Adoption/Twin Study of Aging (SATSA), da Suécia, que acompanha irmãos gêmeos adotados e criados em famílias diferentes. Esse tipo de pesquisa compara pessoas com o mesmo DNA, mas em ambientes diferentes, o que ajuda a separar o peso da herança genética do efeito do estilo de vida.

Esses dados já tinham sido analisados em trabalhos anteriores, mas os resultados variavam conforme o método utilizado. Por isso, com a correção dessa distorção, o novo estudo identificou que a hereditariedade tem um peso bem maior do est

Resultados em humanos se alinham aos de animais

Os autores destacam que a nova estimativa para humanos é parecida com a encontrada em estudos com animais de laboratório. Em camundongos, a influência da genética na longevidade costuma ficar em torno de 50%, uma porcentagem parecida ao indicado pela pesquisa publicada agora.

Essa aproximação reforça a ideia de que os trabalhos anteriores com pessoas provavelmente subestimaram o peso do DNA no tempo de vida, já que os resultados não batiam com o que vinha sendo observado em modelos animais.

Hábitos continuam importantes, mas não determinam tudo

Os autores destacam também que o estudo não diminui a importância de fatores como boa alimentação, prática de exercícios físicos e acesso a cuidados de saúde. Esses elementos sempre foram e continuam sendo fundamentais para a qualidade de vida e prevenção de doenças.

Entretanto, a hipótese levantada pelo estudo é que, em muitas populações, os estilos de vida não variam tanto entre as pessoas. Com isso, o impacto desses hábitos na expectativa de vida acaba aparecendo como menor quando comparado ao peso da genética nas análises.

Estudo pode mudar foco das pesquisas sobre envelhecimento

O trabalho publicado na Science foi comentado pela pesquisadora Daniela Bakula, do Centro de Envelhecimento Saudável da Universidade de Copenhague, na Dinamarca. Ela não participou da pesquisa, mas avaliou os impactos dos resultados para a área.

Segundo Daniela, se o peso da genética na longevidade for confirmado por outros estudos, as pesquisas sobre envelhecimento provavelmente vão se concentrar mais nos mecanismos biológicos que influenciam o tempo de vida. Para a cientista, o desafio agora é entender como os fatores genéticos e ambientais se combinam para definir a expectativa de vida.

Fonte https://www.metropoles.com/

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