Escrito por Cláudio da Costa Oliveira – junho 2026
INTRODUÇÃO
Nos últimos Fala Sério discutimos quatro temas que parecem diferentes, mas estão profundamente ligados.
Primeiro falamos da divisão que atrasa o Brasil.
Depois mostramos, através dos números, que o país convive com desigualdade elevada e desenvolvimento incompleto.
Em seguida apontamos a educação como prioridade estratégica.
E finalmente perguntamos:
o Brasil possui um projeto nacional?
Talvez agora seja hora de dar um passo adiante.
Em 2026 teremos novas eleições.
Mais do que escolher nomes ou partidos, talvez devêssemos refletir sobre outra pergunta:
o que estamos cobrando dos candidatos?
1 – O ERRO QUE REPETIMOS
Frequentemente nossas eleições são dominadas por:
• simpatia
• rejeição
• marketing político
• disputas emocionais
• identidade partidária.
Enquanto isso, perguntas fundamentais muitas vezes ficam em segundo plano.
Qual o projeto?
Quais prioridades?
Quais metas?
Qual prazo?
O debate frequentemente se concentra em quem deve vencer.
Mas pouco se discute o que precisa ser feito.
2 – O QUE O ELEITOR DEVERIA COBRAR
Nenhum candidato resolverá todos os problemas do país.
Mas alguns compromissos poderiam ser exigidos de qualquer grupo político.
Por exemplo:
A – EDUCAÇÃO
Qual o compromisso concreto?
• alfabetização plena?
• melhoria do aprendizado?
• valorização do professor?
• expansão do ensino técnico?
B – INFRAESTRUTURA E CONTINUIDADE
O Brasil possui milhares de obras inacabadas.
Como garantir:
• continuidade?
• cronograma?
• prioridade para projetos estratégicos?
C – EMPREGO E PRODUTIVIDADE
Sem produtividade não existe crescimento sustentável.
O candidato apresenta:
• proposta de geração de emprego?
• qualificação profissional?
• modernização econômica?
D – REDUÇÃO DA DESIGUALDADE
Não apenas assistência.
Mas oportunidade.
Como ampliar:
• mobilidade social?
• renda?
• acesso às oportunidades?
E – PROJETO DE PAÍS
Talvez a pergunta principal.
O candidato governará:
• apenas para seu grupo político?
ou
• para a sociedade como um todo?
Porque governos passam.
O país permanece.
3 – O “DE ACORDO” NACIONAL
Talvez esteja faltando uma prática simples na política brasileira.
Antes do voto, o eleitor, sindicatos, associações, universidades e entidades civis poderiam buscar o “de acordo” dos candidatos sobre algumas prioridades nacionais mínimas.
Não se trata de eliminar diferenças.
Nem de produzir pensamento único.
Mas de perguntar claramente:
Você concorda ou não com certos compromissos básicos?
Por exemplo:
• educação básica como prioridade nacional
• continuidade administrativa
• combate à pobreza extrema
• infraestrutura estratégica
• segurança jurídica
• produtividade e geração de oportunidades.
Não importa se o candidato é de direita, esquerda ou centro.
A pergunta é simples:
qual compromisso concreto assume com o futuro do país?
CONCLUSÃO
A democracia continuará sendo feita de divergências.
Isso é natural.
Mas talvez esteja na hora de mudar a pergunta central das eleições.
Em vez de perguntar apenas:
quem vai vencer?
Talvez devêssemos perguntar:
o que o vencedor terá compromisso de fazer?
Nenhuma nação prospera apenas administrando disputas.
Prospera quando transforma eleições em oportunidade de construir futuro.
Talvez seja isto que o Brasil precise aprender.
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