FALA SÉRIO 205, AÇO, PETRÓLEO E ELETRICIDADE: A DISPUTA PELO PODER EMPRESARIAL – “Como empresas, trabalhadores e Estado construíram a potência industrial americana?”

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Cláudio da Costa Oliveira   setembro 2026

Para compreender a ascensão dos Estados Unidos, precisamos conhecer as disputas que acompanharam sua industrialização.

Empresários procuravam clientes, investidores buscavam lucros e trabalhadores lutavam por melhores condições. Governos tomavam decisões sobre infraestrutura, financiamento e concorrência.

Ninguém conhecia antecipadamente todos os resultados. A história foi construída também por tentativas, conflitos e escolhas cujas consequências ultrapassaram as intenções de seus participantes.

Três atividades ganharam importância decisiva: a siderurgia, o petróleo e a eletricidade.

A energia movimentava a produção. O aço permitia fabricar trilhos, estruturas e máquinas. O domínio dessas atividades ampliava a capacidade de produzir dentro do país.

Andrew Carnegie, imigrante escocês, construiu sua trajetória a partir de experiências no telégrafo e nas ferrovias. Investiu na siderurgia, modernizou instalações, reinvestiu lucros e procurou controlar o abastecimento de matérias-primas. Em 1901, vendeu sua participação na Carnegie Steel a J. P. Morgan. National Park Service — Carnegie.

A expansão industrial também ampliava o poder dos financiadores, capazes de reunir recursos e reorganizar empresas.

Havia iniciativa e capacidade empresarial. E havia um ambiente construído por decisões públicas. Como vimos no FS 200, a Lei da Ferrovia do Pacífico, de 1862, concedeu apoio às linhas transcontinentais e exigiu ferro de fabricação americana nas obras abrangidas pela lei. National Archives — Pacific Railway Act.

A encomenda de infraestrutura ajudava a criar mercado para fabricantes nacionais.

No petróleo, John D. Rockefeller e seus sócios organizaram a Standard Oil em 1870. O crescimento do consumo de querosene para iluminação favorecia o setor. A empresa ampliou o refino, adquiriu concorrentes e organizou atividades de armazenamento e distribuição. Rockefeller Archive Center.

Na eletricidade, Edison defendia seu sistema de corrente contínua. Westinghouse investia na corrente alternada, utilizando também patentes de Tesla. A facilidade de transformar a tensão favorecia a transmissão a maiores distâncias. A disputa envolvia invenções, investimentos e grandes contratos. Departamento de Energia dos EUA.

Era esse conhecimento industrial que chegava ao Brasil com empreendimentos como Marmelos.

Entretanto, o crescimento das empresas vinha acompanhado de conflitos sobre o controle da riqueza.

Em Homestead, em 1892, um conflito trabalhista na siderurgia de Carnegie, sob a administração de Henry Clay Frick, levou a confrontos entre trabalhadores e agentes armados da Pinkerton. Houve mortos e feridos. National Park Service — Frick.

Os trabalhadores também construíam aquela potência e disputavam sua participação nos resultados.

A concentração econômica exigiu respostas públicas. Em 1890, o Congresso aprovou a Lei Sherman contra práticas monopolistas. Em 1911, a Suprema Corte determinou a dissolução da companhia que comandava a Standard Oil, por violação da legislação antitruste. National Archives — Sherman Act; Rockefeller Archive Center.

Portanto, o Estado participou tanto da criação de condições para investir quanto da disputa sobre os limites do poder empresarial.

Ao comparar essa experiência com o Brasil, precisamos voltar às nossas origens.

A escravidão submeteu pessoas ao poder de proprietários durante séculos. Entendo que a concentração de oportunidades e a dificuldade de reconhecer plenamente os direitos de quem trabalha precisam ser examinadas à luz dessa história.

Isso exige reconhecer também a resistência, os conhecimentos e a capacidade de iniciativa da população negra.

A influência jesuítica acrescenta outra pergunta. Seus colégios e práticas de catequese ajudaram a formar valores na sociedade colonial. Como essa formação foi depois transformada e combinada com as exigências do trabalho, da ciência e da indústria? HISTEDBR/Unicamp.

Na leitura que proponho, precisamos investigar os usos da obediência e da pobreza que favorecem a submissão, preservando o valor da fé, da solidariedade e do serviço à comunidade.

Uma indústria forte depende de energia, materiais adequados, financiamento e gente preparada. Seu desenvolvimento deve ampliar as oportunidades de aprender, empreender e viver dignamente do trabalho.

A história americana mostra a importância dos empresários. Mostra também a importância dos trabalhadores e das instituições que regulam o poder econômico.

O Brasil precisa combinar essas forças em benefício de sua população.

Fala sério!

CRITICAS, OPINIÕES, DUVIDAS: soberanobrasiles@gmail.com

REFERÊNCIAS

  1. National Park Service — Andrew Carnegie (1835–1919). Origem escocesa, ferrovias, siderurgia, reinvestimento e venda de sua participação em 1901.
  2. National Archives — Pacific Railway Act (1862). Apoio às ferrovias e exigência de fabricação americana do ferro, na seção 19.
  3. Rockefeller Archive Center — John D. Rockefeller, 1839–1937. Standard Oil, expansão empresarial e decisão judicial de 1911.
  4. Departamento de Energia dos Estados Unidos — The War of the Currents: AC vs. DC Power. Edison, Westinghouse, Tesla e a disputa entre sistemas elétricos.
  5. National Park Service — Henry Clay Frick (1849–1919). Conflito de Homestead em 1892.
  6. National Archives — Sherman Anti-Trust Act (1890). Texto da lei e contexto de sua aprovação.
  7. Sônia Maria Fonseca — A hegemonia jesuítica (1549–1759), HISTEDBR/Unicamp. Educação, catequese e formação colonial.
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