Fala Sério 167, Energia: a base de tudo 

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Escrito por Cláudio da Costa Oliveira – junho 2026

Quando observamos a história da humanidade, percebemos que existe um elemento presente em absolutamente tudo: a energia.

Mais do que um simples insumo econômico, a energia é a base da própria existência do Universo, da vida e da civilização.

Segundo a ciência moderna, o Universo surgiu há aproximadamente 13,8 bilhões de anos em um evento que ficou conhecido como Big Bang. A teoria foi proposta inicialmente pelo físico e padre católico belga Georges Lemaître e, com aperfeiçoamentos posteriores, tornou-se amplamente aceita pela comunidade científica.

Os físicos modernos acreditam que naquele instante nasceram a matéria, a energia, o espaço e o próprio tempo. Aliás, muitos cientistas afirmam que o tempo passou a existir naquele momento, razão pela qual a pergunta “o que havia antes?” talvez não tenha significado físico.

Curiosamente, alguns teólogos veem certa aproximação entre essa visão científica e as primeiras palavras da Bíblia:

“No princípio Deus criou os céus e a terra.”

Segundo essa interpretação, “princípio” representaria o tempo, “céus” o espaço e “terra” a matéria.

Ciência e religião seguem caminhos diferentes, mas ambas apontam para uma questão fundamental: tudo o que existe está ligado à energia.

Depois do surgimento do Universo, estrelas foram formadas. Entre elas, o nosso Sol, fonte da energia que sustenta a vida na Terra.

A humanidade surgiu muito mais tarde.

Durante milhões de anos, nossos ancestrais dependeram exclusivamente da força dos próprios músculos. O braço humano foi a primeira máquina. Com ele foram construídos abrigos, fabricadas ferramentas e garantida a sobrevivência.

Vieram então as pedras, a madeira e, mais tarde, o domínio do fogo. Pela primeira vez o homem passou a controlar uma fonte externa de energia.

O fogo permitiu cozinhar alimentos, aquecer ambientes, fundir metais e produzir armas e ferramentas mais eficientes.

A descoberta da alavanca multiplicou a força humana. Os animais passaram a fornecer energia para transporte e agricultura. A água movimentou monjolos e moinhos. O vento impulsionou embarcações que cruzaram oceanos.

Mas a grande revolução ocorreu com o carvão mineral e a máquina a vapor.

Pela primeira vez, a humanidade passou a utilizar em larga escala uma energia acumulada pela natureza durante milhões de anos.

Nascia a Revolução Industrial.

Em poucas gerações, a produção aumentou de forma extraordinária. A agricultura evoluiu, os transportes se multiplicaram, a medicina avançou e a população mundial iniciou um crescimento sem precedentes.

Posteriormente vieram o petróleo, a eletricidade, o gás natural e a energia nuclear, ampliando ainda mais a capacidade produtiva da humanidade.

Apesar disso, continuamos ensinando nas escolas que os fatores de produção são terra, trabalho e capital, aos quais mais tarde se acrescentou o empreendedorismo.

Talvez esteja faltando algo essencial nessa equação.

O que é o trabalho sem energia?

O que é uma máquina sem energia?

O que é uma indústria sem energia?

O que é uma fazenda moderna sem energia?

Na realidade, toda atividade econômica consiste na transformação da matéria através da utilização da energia.

Talvez seja mais correto afirmar que a história econômica da humanidade é a história do aumento da energia disponível para cada pessoa.

Quanto maior a energia disponível, maior a capacidade de produzir alimentos, bens, serviços, conhecimento e bem-estar.

Por isso, as nações que conseguem garantir energia abundante, confiável e barata costumam liderar os ciclos de desenvolvimento.

E o futuro?

Talvez o próximo salto da humanidade venha de fontes praticamente ilimitadas de energia limpa e barata. Se isso acontecer, máquinas e sistemas inteligentes poderão assumir grande parte das tarefas repetitivas que hoje ocupam bilhões de pessoas.

O trabalho físico perderá importância. O conhecimento ganhará valor crescente.

Talvez nossos descendentes dediquem muito mais tempo à ciência, à arte, à pesquisa e à compreensão do Universo.

Quem sabe a evolução humana caminhe para uma sociedade em que o principal instrumento de produção não sejam os músculos, mas a inteligência.

Afinal, desde o Big Bang até os dias atuais, a história da civilização sempre foi uma história de energia.

E tudo indica que continuará sendo.    

No entanto, existe uma lição que a história parece ensinar com clareza.

Nenhuma civilização se desenvolveu porque possuía mais dinheiro. Nenhuma nação prosperou porque seus bancos eram mais ricos. Nenhum povo avançou porque cobrava mais caro por seus recursos naturais.

O que impulsionou o desenvolvimento foi a capacidade de disponibilizar energia abundante para sua população e para seu sistema produtivo.

O carvão permitiu a Revolução Industrial inglesa.

A combinação de carvão, hidrelétricas e petróleo impulsionou o crescimento dos Estados Unidos.

O carvão e os gigantescos investimentos em geração e transmissão de eletricidade ajudaram a transformar a China em uma potência industrial.

Em todos os casos encontramos o mesmo elemento: energia abundante.

Mas existe uma segunda condição igualmente importante: energia barata.

Energia cara aumenta o custo dos alimentos, dos transportes, da indústria, da construção civil e dos serviços. Energia cara reduz a competitividade das empresas e limita a capacidade de crescimento de uma nação.

Por isso, quando analisamos o desenvolvimento dos países, não devemos perguntar apenas quanto eles produzem de energia.

Devemos perguntar quanto custa essa energia para quem produz, transporta, investe e trabalha.

Uma sociedade pode possuir imensas reservas de petróleo, grandes rios, extensas reservas de carvão ou enorme potencial solar. Mas, se essa energia chegar cara à economia, parte de sua vantagem natural será perdida.

Talvez a grande questão energética do século XXI não seja simplesmente produzir mais energia.

Talvez seja produzir energia abundante e disponibilizá-la a preços compatíveis com os objetivos de desenvolvimento nacional.

A energia foi a base da evolução humana desde o primeiro homem que utilizou seus músculos para sobreviver.

Continua sendo hoje a base da prosperidade das nações.

E continuará sendo amanhã, qualquer que seja a fonte energética predominante.

Porque, no final das contas, a história da humanidade pode ser resumida como uma longa busca por energia cada vez mais abundante, mais eficiente e mais acessível.

Quem compreender isso compreenderá uma das principais chaves do desenvolvimento.

Críticas, opiniões, sugestões: soberanobrasiles@gmail.com

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