FALA SÉRIO 162, ENERGIA: A VANTAGEM COMPETITIVA QUE O BRASIL NÃO UTILIZOU

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Escrito por Cláudio da Costa Oliveira – junho 2026

INTRODUÇÃO

Nos últimos Fala Sério discutimos a divisão que atrasa o Brasil, a educação, o projeto nacional e as prioridades para as próximas eleições.

Mas talvez exista uma pergunta ainda mais fundamental.

Por que um país com petróleo, gás natural, hidrelétricas, biomassa, energia eólica e energia solar não possui uma das energias mais competitivas do mundo?

A pergunta é importante porque nenhuma grande potência econômica surgiu sem uma base energética forte.

A Inglaterra utilizou o carvão.

Os Estados Unidos utilizaram o carvão, o petróleo e a eletricidade.

A Alemanha utilizou o carvão e a energia industrial.

A China utilizou o carvão para impulsionar sua industrialização.

Toda industrialização começa pela energia.

Sem energia abundante e competitiva não existe aço barato, fertilizante barato, transporte barato ou indústria competitiva.

1 – A ENERGIA COMO BASE DO DESENVOLVIMENTO

Durante muitos anos os economistas ensinaram que os fatores de produção eram:

• terra
• trabalho
• capital.

Tudo isso continua importante.

Mas existe um elemento anterior.

A energia.

Sem energia não existe produção em escala.

Ela movimenta:

• máquinas
• ferrovias
• siderúrgicas
• refinarias
• indústrias
• agricultura moderna.

Nenhuma grande economia industrial se desenvolveu sem energia abundante.

2 – O EXEMPLO DA CHINA

A China não começou produzindo carros elétricos ou inteligência artificial.

Começou pelo básico.

Energia abundante.

Carvão mineral.

Depois vieram:

• siderurgia
• cimento
• fertilizantes
• infraestrutura
• indústria de transformação.

Somente depois a China avançou para setores de maior tecnologia.

Existe uma ordem no desenvolvimento.

Primeiro cria-se a base produtiva.

Depois vem a inovação.

3 – O CASO BRASILEIRO

O Brasil possui vantagens extraordinárias.

Tem:

• petróleo
• gás natural
• hidrelétricas
• biomassa
• energia eólica
• energia solar.

Poucos países possuem uma combinação semelhante.

Mesmo assim, a energia brasileira raramente aparece como vantagem competitiva decisiva para a indústria nacional.

Por quê?

Essa é a pergunta central.

Ao longo do tempo, energia passou a ser tratada principalmente como:

• fonte de arrecadação
• exportação de matérias-primas
• geração de dividendos
• instrumento financeiro.

Enquanto isso, a industrialização perdeu espaço.

 4 – O QUE FIZERAM OS PAÍSES DESENVOLVIDOS

Nenhum deles deixou o desenvolvimento ao acaso.

Estados Unidos, Alemanha, Japão, Coreia e China adotaram, em diferentes momentos:

• planejamento de longo prazo
• apoio à infraestrutura
• proteção seletiva de setores estratégicos
• políticas industriais
• energia para sustentar a produção.

Os modelos eram diferentes.

Mas todos possuíam uma direção.

5 – A PERGUNTA QUE PRECISAMOS FAZER

O Brasil possui energia.

Possui recursos naturais.

Possui mercado interno.

Possui população.

Então por que continua encontrando dificuldades para se industrializar?

Talvez a resposta esteja menos na falta de recursos e mais na ausência de uma estratégia nacional capaz de transformar energia em desenvolvimento.

Nenhum país se desenvolveu apenas exportando recursos naturais.

Os países que prosperaram utilizaram seus recursos para construir capacidade produtiva.

CONCLUSÃO

O Brasil não sofre por falta de energia.

Sofre por não ter transformado sua abundância energética em uma estratégia nacional de desenvolvimento.

A Inglaterra utilizou o carvão.

Os Estados Unidos utilizaram o petróleo.

A China utilizou o carvão para construir sua indústria.

O Brasil possui uma das maiores riquezas energéticas do planeta.

A questão não é se temos energia.

A questão é por que ainda não a transformamos em nossa principal vantagem competitiva.

Talvez esta seja uma das perguntas mais importantes para o futuro do país.
CRÍTICAS, OPINIÕES E SUGESTÕES: soberanobrasiles@gmail.com

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