FALA SÉRIO 137 – “A MÃE DE TODAS AS MENTIRAS” A Venda de Ativos — O Início do Desmonte.

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Escrito por Cláudio da Costa Oliveira abril 2026

Depois da “mãe de todas as mentiras”,
veio a consequência prática:

a venda de ativos.

Mas é importante deixar claro:

isso não começou depois.

Começou ainda no governo Dilma.

No final de 2014,
o então presidente da Petrobras, Aldemir Bendine,
apresentou o Plano de Negócios da empresa para o período 2015–2019.

Nesse plano estava previsto:

a venda de mais de US$ 50 bilhões em ativos.

Ou seja:

a mudança de estratégia já havia começado.

No pouco tempo que permaneceu no cargo,
Bendine vendeu mais de US$ 13 bilhões em ativos.

A lógica era clara:

  • reduzir dívida
  • gerar caixa
  • responder à narrativa de crise

Mas isso não foi suficiente.

O governo Dilma caiu.

E, com a mudança de governo,
a estratégia não foi interrompida.

Foi aprofundada.

Michel Temer assumiu
e nomeou Pedro Parente para a presidência da Petrobras.

Em setembro de 2016,
Parente introduziu o chamado:

PPI — Preço de Paridade de Importação.

Mas há um detalhe pouco lembrado:

os preços internos estavam tão elevados
que, para implantar o PPI,
foi necessário inicialmente reduzi-los.

No início, o ajuste de preços era mensal.

Mas em 30 de junho de 2017,
exatamente na metade do ano,
foi tomada uma decisão decisiva:

os preços passaram a ser ajustados diariamente.

A partir daí, a Petrobras passou a seguir, de forma quase automática:

  • o preço internacional
  • o câmbio

Coincidência ou não,
em julho de 2017 surgiu a:

ABICOM — Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis.

Uma associação que, de brasileira, tem pouco.

Seu comando está ligado a interesses internacionais.

Ou seja:

o mercado de importação passou a ganhar espaço.

E, ao mesmo tempo,
a Petrobras continuava vendendo ativos.

No final de 2016,
o Conselho de Administração aprovou a venda de um dos ativos mais estratégicos da empresa:

a NTS — Nova Transportadora do Sudeste.

Gasodutos.

Infraestrutura essencial.

Ativos que não são apenas negócios.

São instrumentos de controle energético.

A partir daí, o movimento se acelerou:

  • venda de gasodutos
  • venda da BR Distribuidora
  • venda de refinarias
  • saída de segmentos inteiros

A Petrobras deixou de ser uma empresa integrada.

E isso não foi um acidente.

Foi uma escolha.

Uma escolha que começou como resposta a uma narrativa,
mas acabou se transformando em política permanente.

A empresa passou a:

  • produzir petróleo
  • vender petróleo

E deixar de controlar o restante da cadeia.

O Brasil fez o mesmo movimento.

Abriu mão de ativos estratégicos.
Abriu mão de integração.
Abriu mão de poder.

E energia é poder.

Quem controla a energia
controla a economia.

Quem abre mão disso,
abre mão do futuro.

A venda de ativos não foi apenas uma decisão financeira.

Foi uma decisão estratégica.

E seus efeitos ainda estão se desenrolando.

No próximo capítulo,
fica claro por quê.

Porque, depois da venda de ativos,
veio outra transformação:

a Petrobras deixou de ser uma empresa de investimento
e passou a ser uma empresa de geração e distribuição de caixa. 

OBSERVAÇÕES, CRÍTICAS E COMENTÁRIOS: sobereanobrasiles@gmail.com

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