Escrito por Cláudio da Costa Oliveira, fevereiro 2026
Em 10 de novembro de 1942, durante a segunda grande guerra, após a vitória britânica na segunda batalha de El Alamein, no Egirto, o primeiro ministro Winston Churchil disse : “Now this is not the end. It is not even the beginning of the end. But it is, perhaps, the end of the beginning.” Traduzindo: “Isto não é o fim. Não é sequer o começo do fim. Mas é, talvez, o fim do começo.”
Por mais de um século o petróleo foi o eixo da economia mundial. Moveu guerras, construiu impérios, financiou países e transformou empresas como a Petrobras, a ExxonMobil e a Shell em gigantes globais.
Mas toda hegemonia tem prazo de validade.
A pergunta não é mais “se” a demanda vai cair.
A pergunta é “quando” o mercado vai aceitar que a curva virou.
A mudança silenciosa
A eletrificação do transporte já é realidade.
E agora surge um novo fator: baterias mais baratas, como as de íon-sódio.
Quando o carro elétrico deixa de ser artigo de luxo e vira produto popular, o maior pilar do petróleo começa a ruir: gasolina e diesel leve.
E não estamos falando de discurso ambiental.
Estamos falando de matemática.
Se o custo por quilômetro rodado elétrico for menor, o consumidor migra.
Se a frota migra, a demanda estrutural cai.
Se a demanda estrutural cai, o preço entra em nova lógica.
O mercado financeiro não espera
Bolsa antecipa tendência.
Quando os investidores perceberem que:
- a demanda global pode cair 20%, 30% ou mais até 2040
- o crescimento estrutural acabou
- dividendos dependerão de um mercado em encolhimento
As ações das petroleiras não cairão devagar.
Elas podem despencar.
Porque ações são precificação de futuro — não de passado.
Se o mercado concluir que o petróleo deixou de ser “crescimento” e virou “gestão de declínio”, a reprecificação será brutal.
Mas é o fim imediato?
Não.
O petróleo ainda terá espaço:
- Aviação
- Petroquímica
- Fertilizantes
- Asfalto
- Lubrificantes
O mundo não para sem petróleo amanhã.
Mas o que pode acabar é a era da expansão infinita.
O verdadeiro risco
O maior risco não é a tecnologia.
É a percepção.
Se fundos globais começarem a reduzir exposição estrutural ao setor, teremos:
- queda nos múltiplos
- menor acesso a capital
- maior volatilidade
- empresas menores e mais seletivas
A história mostra que mercados punem setores em declínio antes que o declínio se consolide.
Então é o início do fim?
Talvez seja o fim do início.
O petróleo continuará relevante.
Mas talvez esteja deixando de ser dominante.
A questão não é se as petroleiras vão desaparecer.
A questão é se continuarão sendo as protagonistas da economia global — ou se se tornarão empresas maduras, defensivas, encolhendo lentamente.
E quando o mercado entender isso…
Sim.
Os preços das ações podem cair forte.
Porque o futuro vale mais do que o passado.