Escrito por Cláudio da Costa Oliveira janeiro 2025
INTRODUÇÃO
Vamos falar sério.
Existe uma ilusão confortável — e conveniente para alguns — de que trabalhadores ativos e aposentados de fundos fechados de previdência têm os mesmos interesses. Não têm.
E fingir que têm só serve para manter aposentados calados, desorganizados e politicamente fracos.
Ativos e aposentados não estão no mesmo barco.
O ativo ainda está construindo sua reserva, tem tempo para recuperar perdas, aceita mais risco e, muitas vezes, prioriza contribuições menores agora. Já o aposentado depende exclusivamente do que o fundo paga hoje — não amanhã. Não tem “horizonte longo”. Não tem como “esperar passar”.
Enquanto o ativo torce para o fundo crescer, o aposentado precisa que o fundo não quebre.
É simples assim.
Mas alguns fingem que não é.
1- REPRESENTAÇÃO CONJUNTA É UMA FRAUDE DE LÓGICA
Não há como um sindicato genérico representar os dois grupos ao mesmo tempo sem sacrificar um deles. E adivinhe quem é sempre sacrificado?
Os aposentados.
Por quê?
Porque:
- são minoria de voto,
- não têm força de mobilização laboral,
- não “paralisam produção”,
- e já não interessam politicamente ao patrocinador.
A conta é fácil: onde há conflito de interesses, aposentado perde. Sempre.
Por isso, defender que um único sindicato represente ativos e assistidos é um erro técnico, uma ingenuidade política e, em muitos casos, uma escolha deliberada para manter quem já se aposentou sem voz.
2- SINPREV: A ÚNICA ENTIDADE QUE REPRESENTA EXCLUSIVAMENTE OS APOSENTADOS
Goste-se ou não, o fato é que o SINPREV é o único sindicato brasileiro cuja missão central é defender exclusivamente os aposentados e assistidos dos fundos fechados de previdência.
É o único que:
- não mistura interesses opostos,
- não responde a pressões do patrocinador,
- não depende de ativos para estrutura política,
- não está subordinado a agendas trabalhistas que não interessam ao aposentado.
Quer resultado positivo no fundo?
Quer segurança no pagamento mensal?
Quer transparência na gestão?
Quer autonomia dos fundos nas decisões de investimento?
Então não adianta procurar defesa onde ela não existe.
3- A LUTA REAL: GARANTIR RESULTADOS POSITIVOS PARA OS FUNDOS
Aqui está o ponto que ninguém diz alto:
A maior luta dos aposentados é garantir que os fundos possam buscar os melhores resultados possíveis.
Sem rentabilidade:
- não há benefício estável;
- não há superávit;
- não há revisão de equacionamento;
- não há recomposição do patrimônio.
E o que o Estado faz?
Em vez de permitir que os fundos invistam melhor, cria regras que engessam e aprisionam a gestão.
4- O ABSURDO DO SISTEMA: A PETROBRAS LUCRA, MAS O PETROS NÃO PODE PARTICIPAR
A Petrobras tem participações e projetos de altíssima rentabilidade.
São investimentos altamente lucrativos, estratégicos, comprovados.
Mas o fundo PETROS…
não pode participar, não pode investir, não pode acessar esse retorno — porque a regulação impede.
E qual é o resultado dessa “proteção”?
Aposentados pagando equacionamento.
Aposentados perdendo poder de compra.
Aposentados sacrificados para compensar ganhos que poderiam ter ocorrido se houvesse liberdade de atuação.
Fala sério.
Que lógica é essa?
5- LIMITAÇÕES QUE NÃO PROTEGEM — PREJUDICAM
Essas restrições:
- foram criadas para evitar escândalos antigos,
- mas hoje servem para limitar resultado,
- reduzir rentabilidade,
- cortar oportunidades,
- e manter os fundos imóveis enquanto o mercado se movimenta.
É como mandar o fundo correr uma maratona com os pés acorrentados.
E depois culpar o aposentado pelo déficit.
CONCLUSÃO
SE OS APOSENTADOS NÃO SE ORGANIZAREM, SERÃO ENGOLIDOS
A verdade é dura, mas precisa ser dita:
Se os aposentados não tiverem uma entidade exclusiva, forte e combativa, seus interesses serão engolidos pelos interesses dos ativos, das patrocinadoras e das burocracias que governam o sistema.
E hoje, no cenário brasileiro, o único instrumento real de defesa dos aposentados é o SINPREV.
Não por vontade política.
Não por conveniência.
Mas por necessidade.
Porque ninguém mais está lutando pelos aposentados dos fundos fechados.
Ninguém mais tem foco exclusivo.
Ninguém mais tem coragem de enfrentar o que precisa ser enfrentado.
Fala sério: se não for o SINPREV, vai ser quem?
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