Escrito por Cláudio da Costa Oliveira janeiro 2025
Há quem diga que o Brasil tem energia cara porque “o mundo é assim”, porque “os preços são internacionais”, porque “não há alternativa”, porque “é a lógica do mercado”.
FALA SÉRIO.
Isso é conversa fiada para justificar uma realidade construída de propósito.
A energia no Brasil é cara porque nossas elites políticas e econômicas são mentalmente dependentes, e essa dependência gera um tipo de submissão que não tem tanques, não tem fuzis e não tem bandeiras estrangeiras tremulando — mas tem leis, regulações e decisões que entregam o interesse nacional embalado para presente.
1. A elite brasileira não pensa o Brasil — pensa o próprio bolso
A chamada “elite” brasileira não é elite coisa nenhuma.
Não investe, não cria, não arrisca, não lidera.
Ela vive de:
- importação privilegiada,
- arbitragem financeira,
- vantagens regulatórias,
- captura de políticas públicas,
- venda de ativos nacionais.
É uma elite rentista, não desenvolvimentista.
Ganha mais com o Brasil fraco do que com o Brasil forte.
E isso é um problema maior do que qualquer interferência externa.
2. Nossa classe política virou caixa de ressonância de interesses alheios
Em Brasília, leis estratégicas nascem de onde?
Dos gabinetes dos deputados?
Do debate público?
Dos institutos de pesquisa brasileiros?
FALA SÉRIO.
Grande parte vem de:
- escritórios internacionais,
- consultorias ligadas a fundos estrangeiros,
- think tanks financiados por corporações globais,
- pressões diplomáticas travestidas de “cooperação técnica”.
A lei chega pronta.
O Congresso apenas carimba.
3. O pior inimigo não está fora — está dentro
Sempre se fala de “interesse externo” como se fosse um monstro distante.
Não é.
O interesse externo só manda aqui porque tem aliados internos garantindo o privilégio.
É o casamento perfeito entre:
- capital estrangeiro, que quer retorno rápido,
- elite brasileira, que quer lucro fácil,
- políticos locais, que querem financiamento de campanha.
Todos ganham.
Quem perde?
O país.
4. A legislação energética é escrita para manter o Brasil dependente
Vamos ao ponto central:
As leis brasileiras de energia e infraestrutura não são neutras.
Elas foram desenhadas para criar dependência:
- Preços internos atrelados ao mercado externo
- Importação de combustíveis em vez de refino local
- Incentivos para investidores estrangeiros e barreiras para produtores nacionais
- Reservas subutilizadas para justificar importação de gás caro
- Regulação que muda para beneficiar quem não produz aqui
- Encargos e tributos que inviabilizam competitividade industrial
Isso não é erro técnico.
Isso é projeto político.
5. E por que esse projeto existe?
Porque é mais lucrativo para alguns.
Simples assim.
A energia cara:
- transfere riqueza para acionistas externos,
- enfraquece a indústria brasileira e a torna dependente,
- obriga o país a importar tecnologias e combustíveis,
- e mantém o Brasil fora do jogo da geopolítica energética moderna.
Enquanto isso, fundos estrangeiros controlam:
- gasodutos,
- distribuição de gás,
- linhas de transmissão,
- parques eólicos,
- produção de energia solar,
- terminais de importação,
- e até parte de nossas reservas estratégicas.
E tudo isso com benção legal, construída dentro do Congresso Nacional.
6. O Brasil é colônia?
Não no sentido clássico.
Mas no sentido funcional, sim:
uma colônia moderna onde as decisões estratégicas são moldadas por quem domina o capital, a tecnologia e a narrativa.
A verdadeira colonização hoje não precisa de soldados.
Basta:
- influência regulatória,
- lobby técnico,
- captura de agências,
- dependência tecnológica,
- e elites locais subservientes.
7. O que poderia ser diferente?
Poderíamos ter:
- gás barato do pré-sal abastecendo a indústria,
- energia elétrica competitiva para transformar o Brasil em potência industrial,
- refino ampliado e integrado,
- fertilizantes produzidos aqui,
- siderurgia de alto valor agregado,
- autonomia energética real,
- exportação de tecnologia, não de commodities.
Temos tudo isso à mão.
Mas deixamos de usar porque não interessa a quem manda no jogo — e quem manda não é o povo brasileiro.
8. Conclusão — e aqui vai o FALA SÉRIO final
O problema do Brasil não é o estrangeiro.
O problema do Brasil é que o estrangeiro manda e as elites brasileiras obedecem sem precisar ser mandadas.
E o país paga a conta — na tarifa, na inflação, no atraso tecnológico e na falta de soberania.
FALA SÉRIO:
Enquanto o Brasil for governado por elites que lucram com a dependência, teremos leis que mantêm o país de joelhos.
E energia cara não é consequência:
é ferramenta de controle.
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