Escrito por Cláudio da Costa Oliveira janeiro 2025
Vamos falar sério: é impossível discutir competitividade, industrialização ou crescimento econômico sem falar de energia.
E o Brasil, que deveria ser uma POTÊNCIA ENERGÉTICA, vive como se fosse um país DEPENDENTE e CARENTE de recursos.
Isso não é apenas um erro — é um tiro no pé do desenvolvimento nacional.
1. O paradoxo brasileiro: o país rico em energia, mas com energia cara
O Brasil tem tudo:
- petróleo em abundância
- gás natural no pré-sal e em bacias terrestres
- a maior matriz hidrelétrica entre grandes economias
- sol como no deserto
- ventos constantes como no Mar do Norte
E mesmo assim…
➡️ paga uma das energias mais caras do mundo industrializado
➡️ encarece a produção
➡️ sufoca a indústria
➡️ e alimenta a inflação
Fala sério: isso não é incompetência técnica, é incompetência estratégica.
2. Energia cara = país caro
Quando a energia é cara, TUDO encarece:
- o aço
- o cimento
- o alumínio
- os fertilizantes
- os transportes
- os alimentos
- a logística
- a conta de luz da população
- e o custo de exportar qualquer coisa
Ou seja: o “Custo Brasil” começa na conta de energia.
Não adianta falar de reforma tributária, de burocracia ou de logística se não resolver o essencial:
o custo da energia que alimenta todo o sistema produtivo.
3. O mundo entendeu isso — menos o Brasil
Veja os países que lideram competitividade:
EUA
Energia barata por causa do gás de xisto → boom industrial.
Siderúrgicas, petroquímicas, data centers e fábricas estão voltando para lá.
Noruega
Hidrelétricas baratas → indústria de alta tecnologia e metalurgia robusta.
A energia barata financia a inovação.
Arábia Saudita e Catar
Utilizam energia barata como arma geoeconômica.
Transformam petróleo e gás em petroquímica, fertilizantes e aço.
China
Subsídio energético direto → exporta mais barato que todos.
Energia barata = competitividade global.
E o Brasil?
O Brasil, com toda sua riqueza energética natural, prefere entregar preços alinhados ao mercado internacional, como se fosse importador dependente.
É a lógica invertida da estratégia nacional.
4. O impacto real se o Brasil tivesse energia barata
Com energia 20% mais barata, o Brasil poderia:
1️⃣ Reviver a indústria nacional
- Siderurgia
- Petroquímica
- Alumínio
- Química fina
- Fertilizantes
- Cerâmica
- Celulose
- Metalurgia
Usinas hoje fechadas por custos altos voltariam a operar.
2️⃣ Explodir o agronegócio competitivo
Fertilizantes mais baratos → custos menores → margens maiores
Transporte mais barato → frete competitivo
Armazenagem e refrigeração mais eficientes
O agro ganharia mais força e mais valor agregado.
3️⃣ Reduzir drasticamente o custo logístico
Hoje 65% da logística depende do diesel.
Energia barata → diesel barato → transporte barato
Resultado:
- alimentos mais baratos
- exportações mais competitivas
- inflação menor
4️⃣ Atrair investimentos globais pesados
Data centers, fábricas de semicondutores, petroquímicas e eletrointensivos adoram três coisas:
- energia barata
- estabilidade de suprimento
- previsibilidade regulatória
O Brasil só não oferece o item 1.
5️⃣ Criar milhões de empregos
Energia barata movimenta:
- construção
- engenharia
- serviços industriais
- logística
- comércio
Estimativa realista: 2 a 4 milhões de empregos diretos e indiretos.
5. Então… por que o Brasil não faz?
Três motivos centrais:
❌ 1. A Petrobras funciona como empresa privada, não como estatal estratégica
Alinha preços ao mercado internacional.
Premia acionistas, penaliza a indústria.
❌ 2. O gás nacional é tratado como se fosse importado
Indexado ao dólar, mesmo sendo produzido aqui.
Sem lógica industrial.
❌ 3. Política energética sem projeto de país
Energia no Brasil é usada para arrecadar impostos, não para gerar competitividade.
Resultado?
Vivemos num país com energia cara por escolha, não por falta de recursos.
6. Fala Sério — o que deveria ser feito?
- Redefinir o papel da Petrobras
→ Fornecedora estratégica de energia barata ao mercado interno. - Criar mercado de gás competitivo
→ Escoar o gás do pré-sal e do onshore a preços nacionais. - Reduzir tributação energética inteligente
→ Priorizar setores produtivos e logística. - Integração de redes e infraestrutura
→ Mais gasodutos, mais interligações, menos GNL caro importado. - Planejamento energético de longo prazo
→ Hidrelétrica + gás + renováveis com objetivo de competitividade, não arrecadação.
7. Conclusão
O Brasil poderia ser uma das economias mais competitivas do mundo.
Tem todos os recursos energéticos necessários para isso.
O problema não é físico.
O problema não é técnico.
O problema é estratégico.
Falta visão de país.
Enquanto isso não for corrigido, continuaremos exportando energia barata e importando produtos caros.
Um contrassenso histórico.
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