FALA SÉRIO 116 – Energia: o verdadeiro fator de produção do século XXI

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Por Cláudio da Costa Oliveira janeiro 2026

Introdução

Durante décadas aprendemos que os fatores de produção eram terra, trabalho e capital. Depois, acrescentaram o empreendedorismo. Tudo correto — para o seu tempo.
Mas o século XXI impôs uma verdade incômoda: sem energia barata, abundante e confiável, nenhum desses fatores se materializa plenamente.

Hoje, a energia deixou de ser apenas um insumo. Ela se tornou o fator estruturante da produção moderna.

1. Produção é, antes de tudo, transformação de energia

Toda produção econômica é, no fundo, um processo físico:

  • transformar matéria,
  • mover massas,
  • alterar estados,
  • reduzir tempo.

Nada disso ocorre sem energia.

Capital é energia acumulada.
Trabalho é energia biológica dirigida.
Tecnologia é energia controlada com eficiência.

Ignorar isso foi possível no século XIX. Hoje, é cegueira estratégica.

2. O Brasil e a vantagem que insiste em desprezar

Poucos países no mundo reúnem, simultaneamente:

  • Grande potencial hidrelétrico
  • Matriz elétrica majoritariamente limpa
  • Sol abundante
  • Ventos constantes
  • Biomassa em escala
  • Reservas de petróleo relevantes

👉 O Brasil já nasceu potência energética.

No entanto, age como se energia fosse apenas:

  • uma commodity
  • um tema ambiental
  • um setor regulatório

Nunca como eixo de um projeto nacional de desenvolvimento.

3. Energia barata muda tudo — absolutamente tudo

Com energia barata e confiável:

  • A indústria pesada volta a ser viável
  • A reindustrialização deixa de ser retórica
  • O custo logístico cai
  • A produção de alimentos se intensifica
  • A dessalinização deixa de ser luxo
  • A mineração de baixo teor se torna econômica

 Países que entenderam isso disputam energia como disputam território.

4. Por que o Brasil não transforma energia em poder?

Porque falta algo essencial:

  • Visão estratégica de longo prazo

O país trata energia como:

  • problema setorial
  • fonte de arrecadação
  • disputa ideológica

Quando deveria tratá-la como:

instrumento de soberania econômica e industrial

Sem isso:

  • exportamos energia incorporada (minério, grãos, petróleo)
  • importamos produtos de alto valor agregado
  • aceitamos a desindustrialização como “natural”

Nada disso é natural. É escolha.

5. Energia limpa não é virtude moral — é vantagem competitiva

O mundo não está migrando para energia limpa por altruísmo.
Está migrando porque:

  • custo marginal cai
  • previsibilidade aumenta
  • dependência externa diminui

O Brasil poderia liderar esse processo com indústria, tecnologia e escala.
Mas insiste em discutir energia como se fosse apenas pauta ambiental.

Conclusão

No século XXI, energia não é mais um fator de produção.
Ela é o fator que redefine todos os outros.

O país que dominar energia barata, abundante, constante e limpa:

  • produzirá mais
  • produzirá melhor
  • produzirá com menos conflito

O Brasil tem tudo para ser esse país.
O que falta não é recurso natural.
É decisão política e projeto nacional.

Fala sério:
não existe soberania econômica sem soberania energética. 

Sugestões, opiniões, criticas : soberanobrasiles@gmail.com

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