Com 210 metros de comprimento e 33 metros de largura, as Eclusas de Tucuruí surgem como o mega ‘elevador de navios’ que venceu um desnível de até 72 metros na Amazônia

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Engenharia que faz embarcações “subirem” e “descerem” sem sair da água, com câmaras gigantes capazes de transpor um desnível comparável a um prédio alto no rio Tocantins. Sistema opera como elevador hidráulico, conecta trechos da navegação interior e revela como infraestrutura pouco visível sustenta rotas fluviais estratégicas.

No rio Tocantins, no Pará, uma estrutura de engenharia permite que embarcações “subam” e “desçam” um desnível equivalente à altura de um prédio alto, sem precisar sair da água.

As Eclusas de Tucuruí formam um sistema de transposição de desnível que funciona como um elevador para comboios fluviais, viabilizando a continuidade da navegação onde a barragem da Usina Hidrelétrica de Tucuruí criou uma diferença de nível que interromperia a hidrovia.

Eclusas de Tucuruí e as dimensões que impressionam

O gigantismo aparece nos números.

Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), cada eclusa possui uma câmara com 210 metros de comprimento e 33 metros de largura, dimensões associadas a obras de grande porte na navegação interior.

A mesma fonte descreve um desnível total de cerca de 72 metros a ser vencido pelo conjunto, distribuído entre duas etapas do sistema, além de informar um calado permissível da câmara de 5 metros, parâmetro que delimita a profundidade de navegação compatível com a operação.

Eclusas de Tucuruí funcionam como um elevador de navios na Amazônia, com 210 metros de extensão e desnível de até 72 metros no rio Tocantins.

A lógica por trás dessa infraestrutura é simples de entender e complexa de executar: quando o nível da água muda bruscamente ao longo de um curso d’água, cria-se uma “parede” invisível para a navegação.

Em vez de exigir transbordo de cargas por terra ou impedir a passagem de embarcações, as eclusas criam um percurso controlado no qual a embarcação entra em uma câmara, tem as comportas fechadas e, em seguida, é elevada ou rebaixada pela variação do nível interno de água, até que o nível se iguale ao trecho seguinte do rio.

Duas etapas e um canal intermediário de 5,5 km

Em Tucuruí, esse processo ocorre em duas etapas.

O DNIT descreve o sistema como composto por duas eclusas e um canal intermediário com 5,5 quilômetros de extensão, espaço projetado para manobras e cruzamentos de comboios, com largura mínima informada de 140 metros.

Na prática, o arranjo transforma o que seria um bloqueio definitivo à navegação em um corredor com controle hidráulico e operacional, onde o tráfego fluvial pode ser acomodado de forma organizada.

Eclusa de montante, eclusa de jusante e operação independente

A primeira estrutura é a chamada eclusa de montante, vinculada ao lago formado pela barragem da hidrelétrica.

De acordo com o DNIT, essa etapa faz a ligação entre o canal intermediário e o reservatório, vencendo um desnível da ordem de dezenas de metros.

A segunda, conhecida como eclusa de jusante, conecta o canal intermediário ao leito do rio Tocantins e completa a transposição até o nível natural do curso d’água.

Eclusas de Tucuruí funcionam como um elevador de navios na Amazônia, com 210 metros de extensão e desnível de até 72 metros no rio Tocantins.

O órgão também indica que as duas eclusas podem operar de forma totalmente independente, desenho operacional que tende a facilitar a gestão de tráfego e reduzir a dependência de uma única câmara em caso de manutenção ou ajustes de rotina.

O porte do sistema se reflete no tipo de navegação para o qual foi concebido.

Na descrição do DNIT, o conjunto pode atender comboios de até 200 metros de comprimento, 32 metros de largura e 3 metros de calado, com capacidade associada a cargas de grande volume, chegando a 19 mil toneladas por comboio.

Em termos logísticos, trata-se de uma escala que aproxima a hidrovia de um corredor competitivo para determinados fluxos de graneis e cargas pesadas, com vantagens conhecidas do transporte aquaviário em eficiência por tonelada movimentada.

Navegação entre Belém e Marabá e o eixo Tocantins-Araguaia

Esse “elevador de navios” foi pensado para integrar trechos estratégicos da navegação interior.

O DNIT aponta que o objetivo do sistema é permitir a navegação entre Belém e Marabá, no eixo do rio Tocantins, e fomentar o aproveitamento de vias interiores que se conectam à bacia Tocantins-Araguaia.

A referência a uma extensão superior a 2.000 quilômetros, associada à ligação do porto de Belém a regiões mais ao interior, ajuda a dimensionar o horizonte do projeto: ampliar a continuidade de um caminho fluvial que, sem a transposição, ficaria segmentado pelo desnível imposto pela barragem.

Engenharia hidráulica em escala monumental

Apesar de a ideia de eclusa ser antiga em canais e rios navegáveis ao redor do mundo, a aplicação em Tucuruí exige engenharia e operação compatíveis com a escala do desafio.

A presença de comportas, sistemas de enchimento e esvaziamento e controles de segurança é inerente ao funcionamento de uma câmara dessa natureza, porque a embarcação depende de uma variação de nível precisa, gradual e coordenada para manter estabilidade dentro do espaço confinado.

A dimensão de 210 por 33 metros amplia a complexidade de cada ciclo, já que o volume de água manipulado em uma única eclusagem cresce com o tamanho da câmara e com o desnível a ser vencido.

Desnível de até 72 metros e a “escada líquida” das eclusas

Eclusas de Tucuruí funcionam como um elevador de navios na Amazônia, com 210 metros de extensão e desnível de até 72 metros no rio Tocantins.
Eclusas de Tucuruí funcionam como um elevador de navios na Amazônia, com 210 metros de extensão e desnível de até 72 metros no rio Tocantins.

O próprio vocabulário técnico revela a função central da obra: transpor desníveis sem interromper a navegação.

No caso de Tucuruí, o DNIT registra um desnível máximo de cerca de 72 metros, com parcelas específicas atribuídas a cada eclusa.

O desenho em “degraus” não é um detalhe; ele é a solução operacional que torna viável superar uma diferença de nível elevada, fracionando o esforço hidráulico e distribuindo o percurso em dois ambientes controlados, com o canal intermediário servindo como área de transição.

Por que a obra chama atenção fora do Brasil

Quando observada pelo ângulo da curiosidade, a obra chama atenção por criar uma experiência que parece paradoxal: em vez de uma ponte que leva o veículo por cima do obstáculo, é a água que muda de lugar para levar a embarcação a um novo patamar.

Na prática, o conjunto faz o papel de uma escada líquida em escala monumental, mantendo a embarcação no mesmo elemento o tempo todo e convertendo uma barreira geográfica em uma sequência de portas e níveis que se reorganizam ao redor do casco.

Em um país com rios extensos e vocação para grandes obras hidráulicas, estruturas como as Eclusas de Tucuruí mostram como a navegação interior pode depender de soluções de engenharia pouco visíveis para quem está longe do leito do rio.

Fonte https://clickpetroleoegas.com.br/

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