O novo ímã supercondutor de 35,6 tesla desenvolvido pela Academia Chinesa de Ciências, instalado em uma infraestrutura nacional recém-aprovada em Pequim, supera recordes laboratoriais anteriores, amplia o acesso internacional a campos magnéticos extremos e consolida avanços técnicos em supercondutores de alta temperatura para pesquisas científicas de larga escala
Pesquisadores da China alcançaram 35,6 tesla em um ímã supercondutor de laboratório, em Pequim, resultado anunciado na terça-feira pela Academia Chinesa de Ciências, ampliando capacidades experimentais, acesso internacional e estudos sob campos magnéticos extremos com estabilidade prolongada.

Novo recorde mundial em campo magnético supercondutor
O campo magnético central de 35,6 tesla foi obtido em uma instalação experimental nacional em Pequim, estabelecendo um marco inédito mundial para ímãs supercondutores de uso em laboratório. O feito posiciona a China entre os líderes em tecnologia supercondutora de alta temperatura.
O experimento ocorreu na Instalação de Usuários de Condições Extremas Sinergéticas, plataforma projetada para receber cientistas da China e do exterior. O resultado amplia o acesso a campos magnéticos muito além dos disponíveis em laboratórios convencionais.
A intensidade alcançada é aproximadamente 12 a 24 vezes maior que a de aparelhos hospitalares de ressonância magnética. Em comparação ao campo magnético natural da Terra, o valor é mais de 700.000 vezes superior.
Sistema totalmente supercondutor e pesquisa aberta
O novo magneto é um sistema inteiramente supercondutor, dependente de materiais supercondutores para gerar campos intensos com perda mínima de energia. O diâmetro útil de 35 milímetros permite a realização direta de experimentos no campo.
Concebido como ferramenta de pesquisa compartilhada, o equipamento já está disponível para usuários nacionais e internacionais. O objetivo declarado é apoiar experimentos de ponta em ciência dos materiais, ciências da vida e outras áreas dependentes de campos fortes e estáveis.
Essa escala de desempenho é essencial para investigar comportamentos de materiais sob condições extremas que não podem ser replicadas por outros meios. O acesso aberto amplia o uso científico do sistema em diferentes disciplinas.
Cooperação institucional e avanços de engenharia
O desenvolvimento resultou de cooperação entre órgãos vinculados à Academia.
O Instituto de Engenharia Elétrica liderou o projeto, a fabricação e a integração do sistema do ímã supercondutor.
Em paralelo, o Instituto de Física concentrou-se nos desafios de monitoramento da integridade do sistema e na medição de precisão de componentes supercondutores de alta temperatura, assegurando confiabilidade operacional.
Versões anteriores atingiram níveis mais baixos em 2023. Desde então, materiais foram aprimorados, o projeto estrutural otimizado e processos de fabricação refinados, elevando o desempenho sem reduzir o diâmetro do furo, requisito essencial aos usuários.
Essas melhorias consolidam capacidades avançadas internacionais na aplicação de supercondutores de alta temperatura em instrumentos científicos de grande escala, segundo a avaliação institucional divulgada.
Estabilidade operacional e medições exigentes
Além da força do campo, o valor para o usuário está na estabilidade e confiabilidade. Sistemas supercondutores operam em temperaturas extremamente baixas, onde a resistência elétrica cai a zero, permitindo campos uniformes por longos períodos com consumo reduzido.
Segundo Luo Jianlin, pesquisador do Instituto de Física da Academia Chinesa de Ciências, o sistema pode manter o campo máximo de forma estável por mais de 200 horas e integrar-se a condições extremas, como temperaturas ultrabaixas e altas pressões, conforme relato do Global Times.
Essa estabilidade viabiliza medições como ressonância magnética nuclear, calor específico e magnetostrição, atendendo amplamente às necessidades da comunidade científica, segundo a declaração. O desempenho sustentado é central para experimentos complexos e repetíveis.
Infraestrutura nacional e impacto científico
O magneto está instalado no complexo de pesquisa para condições extremas na Cidade da Ciência de Huairou, nos arredores de Pequim. A infraestrutura foi aprovada pelo governo nacional em fevereiro de 2025.
O complexo reúne temperaturas ultrabaixas, campos magnéticos intensos, pressão ultra-alta e sistemas ópticos ultrarrápidos em um único local. A operação conjunta amplia o escopo de pesquisas possíveis em um ambiente integrado.
Com outras plataformas do sítio, o novo ímã apoiará explorações do mundo microscópico da matéria e acelerará descobertas relacionadas a instrumentos avançados, tecnologias médicas, sistemas de energia e transporte.
Campos magnéticos fortes são ferramentas importantes para o estudo de materiais, incluindo supercondutores de alta temperatura e materiais quânticos. Também contribuem para análises biomoleculares precisas e desenvolvimento de tecnologias médicas, como terapia magnética direcionada, segundo Luo, reforçando o impacto global do equipamnto.