Fala Sério 168, Energia: lucro ou desenvolvimento?

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Escrito por Cláudio da Costa Oliveira com IA junho 2026

No Fala Sério anterior vimos que a história da humanidade pode ser interpretada como a história da busca por energia.

Desde a força dos músculos até a eletricidade moderna, cada grande salto civilizatório ocorreu quando o homem encontrou formas mais abundantes e eficientes de utilizar energia.

Mas isso nos leva a uma pergunta fundamental:

Qual deve ser o objetivo de uma política energética nacional?

Maximizar lucros ou maximizar desenvolvimento?

A resposta parece simples, mas dela depende o futuro de uma nação.

Ao longo da história, os países que mais cresceram nunca trataram a energia como um produto qualquer.

A Inglaterra utilizou seu carvão mineral para impulsionar a Revolução Industrial.

Os Estados Unidos expandiram sua economia apoiados em carvão, petróleo, gás natural e grandes projetos hidrelétricos.

A China utilizou suas enormes reservas de carvão para alimentar a industrialização que transformou o país em uma das maiores potências econômicas do planeta.

Mais recentemente, os chineses passaram a investir pesadamente em hidrelétricas, linhas de transmissão, energia solar, energia eólica, baterias e veículos elétricos.

Por quê?

Porque compreenderam que o futuro econômico continuará dependendo da energia.

A diferença é que a forma dessa energia pode mudar.

O carvão impulsionou o século XIX.

O petróleo impulsionou o século XX.

Talvez a eletricidade impulsione o século XXI.

É interessante observar que os chineses não investem apenas em geração de energia dentro de seu território. Também investem em sistemas elétricos, hidrelétricas e linhas de transmissão em diversos países, inclusive no Brasil.

Não parece ser uma decisão de curto prazo.

Parece uma visão estratégica.

Quem acredita que a eletricidade será cada vez mais importante para a economia mundial naturalmente procura participar dos sistemas que irão produzi-la e transportá-la.

Mas existe outra questão que merece reflexão.

Produzir energia não basta.

É preciso decidir quem será beneficiado por ela.

Quando uma empresa energética obtém margens extraordinárias, uma parte dos ganhos deixa de chegar à indústria, à agricultura, aos transportes e aos consumidores.

O lucro de um setor transforma-se em custo para todos os demais.

Por isso, muitos países procuram equilibrar dois objetivos:

  • garantir a sustentabilidade financeira das empresas;
  • utilizar a energia como instrumento de desenvolvimento econômico.

Não se trata de defender prejuízos ou desperdícios.

Trata-se de compreender que energia não é um produto comum.

A energia está presente em tudo.

No preço dos alimentos.

No preço do transporte.

No preço da moradia.

No preço dos produtos industriais.

Na competitividade das empresas.

Na qualidade de vida da população.

Uma nação que possui energia abundante e barata possui uma vantagem econômica comparável à descoberta de uma grande riqueza natural.

Uma nação que encarece sua energia reduz parte de sua capacidade de competir e crescer.

Talvez por isso os países que mais se desenvolveram ao longo da história tenham dedicado tanta atenção ao tema energético.

Eles compreenderam algo simples:

A energia não é apenas um setor da economia.

A energia é a infraestrutura invisível sobre a qual toda a economia é construída.

Quando a energia é abundante e acessível, a economia cresce.

Quando a energia se torna escassa ou cara, o desenvolvimento encontra seus limites.

Por isso, antes de discutir impostos, juros, câmbio ou dívida pública, talvez seja necessário responder a uma pergunta mais básica:

Estamos utilizando nossa energia para gerar lucros ou para gerar desenvolvimento? 

Críticas, sugestões, opiniões: soberanobrasiles@gmail.com

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