Escrito por Cláudio da Costa Oliveira – junho 2026
INTRODUÇÃO
Nos últimos Fala Sério analisamos a evolução da Petrobras, a descoberta do pré-sal, a geração de caixa, os investimentos, os dividendos e os principais indicadores financeiros da companhia.
Os números mostraram uma realidade curiosa.
Enquanto a população brasileira ouvia repetidamente que a Petrobras estava quebrada, a empresa continuava gerando dezenas de bilhões de dólares por ano em caixa operacional.
Mantinha liquidez confortável.
Possuía elevados saldos de caixa.
Não precisou de recursos do Tesouro Nacional.
Não entrou em recuperação judicial.
Então surge uma pergunta inevitável:
Se a Petrobras não estava quebrada, por que quase ninguém a defendeu?
O mais impressionante é que as principais empresas de classificação de risco, Ftch, Moody’s e Standart & Poors, de 2007 a 2015, deram à Petrobrás o “grau de investimento”. Exatamente quando, no Brasil, se difundia a narrativa de que a empresa estava com problemas. Depois de 2015, nunca mais a Petrobrás obteve o “grau de investimento”
1 – A DERROTA DOS NÚMEROS
Os principais indicadores financeiros da Petrobras estavam disponíveis para qualquer pessoa interessada.
Receita.
Geração operacional de caixa.
Liquidez corrente.
Saldo de caixa.
Capacidade de pagamento.
Mesmo assim, a discussão pública concentrou-se quase exclusivamente nos prejuízos contábeis e nos efeitos dos impairments.
Os números perderam espaço para as narrativas.
E quando as narrativas vencem os números, a verdade torna-se secundária.
2 – O SILÊNCIO DOS QUE DEVERIAM DEFENDER A EMPRESA
A Petrobras não foi criada por investidores privados.
Foi criada pelo povo brasileiro.
A descoberta do pré-sal.
A Cessão Onerosa.
O regime de Partilha.
A capitalização da companhia.
Tudo isso ocorreu sob governos que defendiam uma Petrobras forte e integrada ao projeto de desenvolvimento nacional.
Mas quando a narrativa da empresa quebrada ganhou força, seus defensores desapareceram.
Quem explicou os balanços?
Quem explicou a geração operacional de caixa?
Quem explicou a liquidez corrente?
Quem explicou a diferença entre prejuízo contábil e incapacidade financeira?
Praticamente ninguém.
3 – A MUDANÇA COMEÇOU ANTES DE TEMER
Muitos brasileiros acreditam que as mudanças começaram apenas após 2016.
Mas os fatos mostram algo diferente.
As Refinarias Premium foram interrompidas em 2014.
Em 2015 surgiu o Plano Estratégico que previa a venda de dezenas de bilhões de dólares em ativos.
Os investimentos começaram a cair.
A mudança de rumo já estava em andamento.
Temer acelerou o processo.
Mas não o iniciou.
4 – A PERGUNTA QUE PERMANECE
Por que o próprio governo que criou a Cessão Onerosa, o regime de Partilha e a capitalização da Petrobras não apresentou à população os números da companhia?
Por que permitiu que a discussão fosse conduzida quase exclusivamente por seus adversários?
Por que aceitou que uma empresa com forte geração de caixa fosse apresentada como inviável?
Até hoje essas perguntas continuam sem resposta.
CONCLUSÃO
A Petrobras não perdeu apenas refinarias, gasodutos, subsidiárias e participações empresariais.
Antes disso, perdeu seus defensores.
Quando os números deixaram de ser discutidos, as narrativas ocuparam seu lugar.
E quando as narrativas passaram a ser repetidas diariamente, transformaram-se em verdade para grande parte da população.
Talvez a principal lição desta série seja simples.
Nenhuma nação pode discutir seriamente seu futuro quando abandona os fatos e passa a decidir com base apenas em versões.
A Petrobras mudou.
O Brasil também.
Compreender como isso ocorreu é o primeiro passo para decidir o que queremos construir daqui para frente.
FIM DA SÉRIE
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