FALA SÉRIO 164, A PETROBRAS MUDOU?

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Escrito por Cláudio da Costa Oliveira – junho 2026

INTRODUÇÃO

A Petrobras foi criada em 1953 para garantir a segurança energética do Brasil e contribuir para o desenvolvimento nacional.

Ao longo de sua história participou da construção de refinarias, oleodutos, plataformas, centros de pesquisa, programas de biocombustíveis e da formação de milhares de técnicos e engenheiros.

Mas a Petrobras de hoje continua sendo a mesma empresa?

Para responder a esta pergunta vamos analisar três períodos recentes de sua história.

1 – 2010 A 2014

O PRÉ-SAL COMO PROJETO NACIONAL

Este período foi marcado pela capitalização da Petrobras, pela Cessão Onerosa, pela confirmação da comercialidade dos grandes campos do pré-sal e pela implantação do regime de partilha.

A empresa investia fortemente em:

  • produção
  • refino
  • fertilizantes
  • pesquisa e desenvolvimento
  • indústria naval
  • infraestrutura

Os investimentos líquidos anuais ficaram entre US$ 35 bilhões e US$ 60 bilhões.

A geração operacional de caixa permaneceu entre US$ 26 bilhões e US$ 30 bilhões por ano.

O objetivo era transformar a riqueza do pré-sal em desenvolvimento nacional.

Neste período foram planejados ou ampliados projetos estruturantes como as Refinarias Premium, o Comperj, fertilizantes, indústria naval e a expansão do CENPES.

2 – 2015 A 2019

O PERÍODO DE TRANSIÇÃO

A partir de 2014 ocorreram mudanças importantes.

O preço internacional do petróleo caiu fortemente.

Foram registrados grandes impairments associados à revisão do valor de ativos e aos efeitos da Operação Lava Jato.

Projetos importantes foram interrompidos.

O Plano Estratégico 2015-2019 passou a prever forte redução dos investimentos e venda de ativos.

Ao mesmo tempo, tornou-se frequente a divulgação de que a Petrobras estaria quebrada ou próxima da insolvência. Sem nenhuma prova.

Enquanto isso, os principais indicadores operacionais e financeiros da companhia apontavam em outra direção.

A geração operacional de caixa permaneceu próxima de US$ 26 bilhões por ano durante todo o período de 2014 a 2019.

Em 2016, a geração operacional de caixa da Petrobras, em valor absoluto, foi superior à de grandes petroleiras internacionais como Exxon, Shell e BP, apesar da menor receita da companhia brasileira.

A liquidez corrente permaneceu em níveis considerados confortáveis, sempre acima de 1,5.

A Petrobras continuou honrando seus compromissos financeiros, não precisou de aporte do Tesouro Nacional e não entrou em recuperação judicial.

Um aspecto que chama a atenção é que as afirmações sobre uma suposta insolvência da companhia nunca eram acompanhadas da apresentação desses indicadores.

A discussão pública concentrou-se principalmente nos prejuízos contábeis e nos impairments, enquanto geração de caixa, liquidez e capacidade operacional recebiam muito menos atenção.

A questão que permanece é simples:

Se a Petrobras continuava gerando dezenas de bilhões de dólares por ano em caixa operacional e apresentava liquidez confortável, quais eram os números que demonstravam uma situação de insolvência?

Essa pergunta continua sem resposta convincente até hoje.

3 – 2020 A 2025

A ERA DO PRÉ-SAL MADURO

O pré-sal tornou-se a principal fonte de produção da companhia.

A geração operacional de caixa cresceu significativamente, alcançando valores entre US$ 36 bilhões e US$ 50 bilhões por ano.

Ao mesmo tempo, os investimentos permaneceram muito inferiores aos observados no período 2010-2014.

A distribuição de dividendos atingiu níveis recordes.

Em 2022 os dividendos pagos alcançaram US$ 37,7 bilhões.

A principal mudança observada não foi na capacidade operacional da empresa, mas na destinação da riqueza gerada.

4 – O QUE OS NÚMEROS MOSTRAM?

Os números indicam uma transformação importante.

Entre 2010 e 2014 a Petrobras investia mais de US$ 40 bilhões por ano, em média.

Entre 2020 e 2025 os investimentos líquidos ficaram próximos de US$ 6 bilhões anuais, em média.

Ao mesmo tempo, a distribuição de dividendos aumentou fortemente.

A geração operacional de caixa permaneceu elevada em todos os períodos.

Portanto, a principal transformação não ocorreu na capacidade operacional da empresa.

A mudança ocorreu na utilização da riqueza gerada.

5 – A QUESTÃO CENTRAL

A Petrobras continua produzindo petróleo.

Continua gerando caixa.

Continua apresentando resultados expressivos.

Mas a pergunta permanece:

A riqueza extraordinária proporcionada pelo pré-sal está sendo utilizada prioritariamente para:

  • investimentos?
  • pesquisa?
  • desenvolvimento nacional?
  • novas fontes de energia?

Ou para remuneração dos acionistas?

Esta é uma discussão legítima para uma empresa controlada pelo Estado brasileiro.

CONCLUSÃO

A Petrobras mudou.

Os números mostram isso.

A questão que permanece aberta não é se a mudança ocorreu.

A questão é se essa mudança aproximou ou afastou a empresa da missão para a qual foi criada em 1953.

No próximo Fala Sério faremos uma comparação entre Petrobras, Exxon, Chevron, Shell, BP e TotalEnergies para entender por que a Petrobras gera proporcionalmente tanto caixa e quais as consequências disso para o Brasil.

CRÍTICAS, OPINIÕES E SUGESTÕES: soberanobrasiles@gmail.com

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