Fala Sério 153, “ENERBRAS: o Brasil precisa deixar de ser apenas um país do petróleo”

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Escrito por Cláudio da Costa Oliveira maio 2026

O mundo está mudando rapidamente.

Durante mais de um século o petróleo foi a principal fonte de energia da humanidade. Quem controlava o petróleo controlava a economia, a indústria, os transportes e até as guerras.

Foi neste contexto que Getúlio Vargas criou a Petrobras.

Na sua Carta-Testamento escreveu:

“Quis criar a liberdade nacional na potencialização de nossas riquezas através da Petrobras.”

Getúlio entendia que sem energia não existe soberania.

E ele estava certo.

Mas o mundo de hoje já não é o mesmo de 1953.

A chamada “era do petróleo” começa lentamente a entrar em transformação.

Não significa que o petróleo vá acabar amanhã. Muito pelo contrário. O petróleo continuará extremamente importante durante décadas, principalmente na petroquímica, fertilizantes, aviação, transporte pesado e indústria.

Mas o centro estratégico do desenvolvimento mundial já começou a mudar.

Hoje a disputa global envolve:

  • energia elétrica;
  • baterias;
  • minerais estratégicos;
  • inteligência artificial;
  • redes elétricas;
  • hidrogênio;
  • terras raras;
  • energia nuclear;
  • energia solar;
  • energia eólica;
  • armazenamento energético.

A grande pergunta é:

O Brasil continuará sendo apenas exportador de óleo bruto?

Ou criará uma grande empresa nacional de energia para liderar o desenvolvimento brasileiro no século XXI?

A Noruega percebeu isto antes de muita gente.

A antiga Equinor nasceu como Statoil, estatal focada em petróleo.

Mas os noruegueses entenderam que o futuro exigia algo maior.

Mudaram o nome para “Equinor”:

  • “Equi” de equilíbrio;
  • “Nor” de Noruega.

Ou seja:
uma empresa de energia, não apenas de petróleo.

O Brasil precisa começar a discutir algo semelhante.

A Petrobras poderia ser transformada gradualmente em uma grande empresa estatal integrada de energia.

Um novo conceito.

Um novo projeto nacional.

Um novo nome.

ENERBRAS — Energias do Brasil S.A.

A Petrobras continuaria atuando:

  • no petróleo;
  • no gás;
  • no refino;
  • na petroquímica.

Mas também poderia liderar:

  • energia nuclear;
  • hidrogênio verde;
  • redes elétricas inteligentes;
  • baterias;
  • biocombustíveis avançados;
  • fertilizantes;
  • captura de carbono;
  • mineração estratégica;
  • terras raras.

E aqui está um dos pontos mais importantes.

O século XXI poderá ser menos dependente do petróleo e muito mais dependente de minerais estratégicos.

As chamadas “terras raras” já são fundamentais para:

  • carros elétricos;
  • turbinas eólicas;
  • radares;
  • satélites;
  • chips;
  • mísseis;
  • celulares;
  • inteligência artificial.

A China percebeu isto há décadas.

Hoje domina grande parte da cadeia mundial de terras raras.

Os EUA correm atrás.

A Europa está atrasada.

E o Brasil?

O Brasil possui enormes reservas minerais estratégicas, mas continua exportando riqueza bruta e importando tecnologia cara.

Mais uma vez.

Exatamente como aconteceu durante séculos.

Os países que mais crescem atualmente possuem algo em comum:

  • forte planejamento estatal;
  • empresas nacionais estratégicas;
  • coordenação energética e industrial.

É o caso de:

  • China
  • India
  • Indonesia
  • Turquia

Todos utilizam o Estado como organizador do desenvolvimento nacional.

Nenhum deles entrega completamente seus setores estratégicos ao mercado internacional.

O Brasil precisa decidir:
quer ser apenas fornecedor de matérias-primas?
Ou deseja voltar a pensar grande?

A Petrobras foi criada para garantir soberania energética.

Talvez tenha chegado a hora de dar o próximo passo histórico.

Transformar a Petrobras numa empresa nacional de energia e desenvolvimento.

Não apenas para explorar o petróleo do século XX.

Mas para liderar a energia do século XXI.

Porque sem energia,
não existe desenvolvimento.

E sem controle nacional da energia,
não existe soberania   

Sugestões, críticas, dúvidas: soberanobrasiles@gmail.com

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