O Espírito Santo prepara um megaprojeto de R$ 2,18 bilhões com obras no mar, porto de águas profundas e estrutura para transbordo de petróleo em um complexo que pode virar peça-chave da logística brasileira no Atlântico

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No litoral Sul do Espírito Santo, um projeto portuário em águas profundas reúne obras marítimas, financiamento bilionário e planos industriais ligados à logística de petróleo no Atlântico, com etapas previstas até 2028.

O litoral Sul do Espírito Santo deve receber, nos próximos anos, uma nova estrutura portuária voltada a operações em águas profundas.

Em Presidente Kennedy, o Porto Central prepara a primeira fase de um complexo privado que inclui dragagem, construção de quebra-mar, bacia de evolução para manobra de embarcações e um Terminal de Granéis Líquidos destinado ao transbordo de petróleo entre navios.

O investimento previsto para essa etapa é de R$ 2,18 bilhões, valor aprovado pelo Fundo da Marinha Mercante para a implantação de infraestrutura portuária.

Os recursos estão vinculados a obras marítimas consideradas necessárias para transformar a área costeira em um ponto apto a receber embarcações de grande porte, com canal de acesso, área abrigada contra ondas e estruturas associadas à operação industrial.

A proposta do empreendimento é criar uma base marítima para cargas estratégicas, principalmente petróleo e granéis líquidos.

A operação prevista busca permitir que cargas sejam transferidas entre navios em uma região próxima a rotas da costa brasileira, sem depender exclusivamente de portos já consolidados ou de deslocamentos adicionais até terminais com maior capacidade.

Porto de águas profundas exige obras antes da chegada dos navios

Embora o cais seja a parte mais conhecida de um porto, a operação de navios de grande porte depende de etapas anteriores no ambiente marítimo.

No Porto Central, essa fase envolve intervenções no fundo do mar, na área de manobra das embarcações e na proteção da costa contra a ação direta das ondas.

A dragagem do canal de acesso tem a função de adequar a profu

Já a bacia de evolução funciona como uma área destinada a manobras, permitindo que as embarcações girem, se posicionem e operem dentro dos padrões definidos para o projeto.

Outro elemento previsto é o quebra-mar sul, estrutura construída para reduzir o impacto de ondas e correntes sobre a área operacional.

A combinação dessas obras cria condições para que navios maiores possam acessar o terminal com segurança, de acordo com as exigências técnicas de projetos portuários desse tipo.

A primeira fase concentra cifras bilionárias porque um porto de águas profundas exige obras em terra e no mar.

Além da área disponível para instalação do complexo, o projeto depende de engenharia costeira, estudos ambientais, planejamento logístico e estruturas capazes de atender embarcações de maior porte.

No caso do Porto Central, as intervenções marítimas estão previstas para começar em 2026.

As obras preparatórias em terra tiveram início em dezembro de 2024, com atividades relacionadas à implantação da fase inicial do complexo.

Entre as próximas frentes está a instalação de uma central de pré-moldados de concreto, que deve apoiar a fabricação de peças utilizadas na construção.

Terminal de granéis líquidos será foco inicial do Porto Central

O Terminal de Granéis Líquidos é o principal eixo da fase inicial do empreendimento.

A estrutura foi planejada para operações de transbordo de petróleo entre navios, modalidade conhecida no setor como ship-to-ship.

Nesse tipo de operação, a carga passa de uma embarcação para outra sem, necessariamente, seguir para um terminal terrestre de armazenag

A expectativa informada pela empresa responsável pelo projeto é que o primeiro terminal comece a operar a partir de 2028.

Segundo o Porto Central, a demanda inicial está associada a contratos firmados com empresas do setor de óleo e gás, entre elas Petrobras, Equinor, CNOOC e Repsol Sinopec.

Esse tipo de operação tem relação com a produção offshore brasileira, especialmente em áreas de exploração distantes da costa.

Ao prever uma estrutura em águas profundas no Espírito Santo, o complexo busca oferecer um ponto de apoio para embarcações que precisam redistribuir cargas no Atlântico e atender cadeias ligadas ao petróleo e seus derivados.

A localização de Presidente Kennedy também compõe a estratégia do proje

O município fica no extremo Sul capixaba, próximo à divisa com o Rio de Janeiro, em uma faixa costeira próxima a áreas de produção de petróleo e a rotas marítimas usadas por navios de grande porte.

Essa posição ajuda a explicar o foco inicial em granéis líquidos.

Fundo da Marinha Mercante aprovou R$ 2,18 bilhões para o projeto

Os R$ 2,18 bilhões foram aprovados pelo Fundo da Marinha Mercante, instrumento federal de financiamento voltado ao desenvolvimento da marinha mercante, da indústria naval e da infraestrutura relacionada ao transporte aquaviário.

A aprovação foi anunciada pelo Ministério de Portos e Aeroportos em março de 2026, dentro de uma rodada de projetos para o setor naval e portuário.

O financiamento ainda precisa ser operacionalizado junto a uma instituição financeira, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, ou a Caixa Econômica Fed

O prazo informado para essa etapa é de até 450 dias, e a liberação dos recursos ocorre em parcelas, conforme o avanço físico das obras.

Esse modelo de desembolso é comum em projetos de infraestrutura de grande escala.

Os valores são liberados de acordo com etapas de execução, medições e comprovação de avanço, além do cumprimento das condições previstas no contrato de financiamento.

Na rodada anunciada pelo governo federal, o Espírito Santo ficou entre os estados contemplados por recursos destinados a projetos portuários e navais.

O Porto Central apareceu entre os empreendimentos com maior valor a

Complexo portuário prevê operação industrial em Presidente Kennedy

A primeira fase está concentrada no Terminal de Granéis Líquidos, mas o Porto Central foi concebido como um complexo portuário e industrial multipropósito.

O projeto prevê áreas destinadas a diferentes tipos de carga e atividades produtivas associadas à logística marítima.

O empreendimento é liderado pela TPK Logística, criada em 2011, e tem a Organização Polimix como principal acionista, segundo informações institucionais do Porto Central.

O projeto passou por etapas de licenciamento ambiental e recebeu licença de instalação do Ibama para a fase inicial.

Outra frente em estudo é a implantação de um

Esse processo envolve desmontagem, reciclagem ou destinação adequada de estruturas marítimas que chegaram ao fim da vida útil.

Para desenvolver essa área, o Porto Central assinou um memorando de entendimento com a M.A.R.S Europe.

A empresa atua em projetos de reciclagem e desmantelamento de navios no exterior.

O acordo, porém, indica uma etapa de estudo e estruturação, não o início de operação de um estaleiro.

A eventual incorporação do descomissionamento ao complexo ampliaria o tipo de atividade prevista para a área portuária.

Além da movimentação de cargas, o projeto passaria a abrigar serviços relacionados ao ciclo de vida da indústria offshore, incluindo o tratamento de estruturas marítimas após o encerramento de suas operações.

Dragagem, quebra-mar e licenças ambientais definem a etapa marítima

O projeto envolve mudanças físicas relevantes na região costeira.

Dragagens alteram profundidades, quebra-mares modificam a forma como ondas chegam à área protegida e canais de acesso precisam seguir parâmetros técnicos definidos para navegação segura.

Por esse motivo, empreendimentos portuários desse porte dependem de licenciamento, estudos ambientais e acompanhamento técnico.

No caso do Porto Central, as licenças ambientais citadas pela empresa incluem a Licença Prévia nº 498/2014 e a Licença de Instalação nº 1436/2023, emitidas pelo Ibama.

Esses documentos integram o processo de autorização para a implantação do empreendimento, dentro das condições estabelecidas pelo órgão ambiental.

As etapas de licenciamento também servem para definir medidas de controle, monitoramento e compensação quando exigidas.

A construção de um porto de águas profundas reúne diferentes áreas técnicas, como geologia, oceanografia, engenharia civil, navegação e logística.

A profundidade permite receber embarcações maiores; o quebra-mar reduz a exposição direta às ondas; a dragagem adequa o caminho de acesso; e a bacia de evolução oferece espaço para manobras.

A viabilidade econômica, por sua vez, depende de demanda, contratos e integração com cadeias produtivas.

A infraestrutura precisa estar alinhada ao fluxo previsto de navios, enquanto a operação exige condições marítimas, ambientais e comerciais compatíveis com o tipo de carga movimentada.

Obras marítimas devem marcar nova fase do empreendimento

Apesar do avanço das obras preparatórias e da aprovação dos recursos do Fundo da Marinha Mercante, a execução das intervenções no mar será a próxima etapa central do projeto.

É nesse momento que a implantação deixa de se concentrar principalmente em atividades em terra e passa a alcançar a área marítima do complexo.

O cronograma informado prevê início das obras marítimas em 2026 e operação do primeiro terminal a partir de 2028.

Esses prazos dependem da contratação financeira, do avanço físico das obras e do cumprimento das condicionantes exigidas para o empreendimento.

A frente de descomissionamento, por outro lado, permanece em fase de engenharia, estudo e estruturação.

O memorando assinado com a M.A.R.S Europe indica intenção de cooperação, mas não confirma a existência de um estaleiro pronto ou com operação iniciada.

Projetos portuários costumam avançar em etapas sucessivas.

Primeiro vêm estudos, licenças, definição de áreas e contratos.

Depois, entram as obras preparatórias.

Em seguida, começam as intervenções marítimas, que exigem equipamentos especializados, controle técnico e acompanhamento das condições de mar.

No Espírito Santo, o Porto Central chega a uma fase em que a obra passa a depender da execução das estruturas marítimas previstas para a primeira etapa.

Fonte https://clickpetroleoegas.com.b

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