Avaliado em US$ 20 bilhões, o galeão San José, o “Santo Graal dos naufrágios”, finalmente começou a ser explorado: robôs retiraram canhão de bronze, moedas e porcelana chinesa do século 18 do fundo do Caribe após 318 anos

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A operação colombiana abriu uma nova fase da pesquisa arqueológica, colocou peças históricas sob conservação especial e reacendeu a disputa internacional por um dos naufrágios mais valiosos do planeta em águas profundas.

A Colômbia apresentou em 19 de novembro de 2025 os primeiros objetos retirados do galeão San José, naufragado em 1708 perto de Cartagena, no Caribe. O conjunto inclui um canhão de bronze, moedas e porcelanas recolhidos em uma missão científica no sítio arqueológico.

O naufrágio está a mais de 600 metros de profundidade e virou uma das maiores disputas patrimoniais do mundo. Além do peso histórico, o cargamento é estimado por parte da imprensa internacional em até US$ 20 bilhões, o que mantém pressão sobre a pesquisa e sobre o destino das peças.

O ponto central é que a exploração pública não começou em 2026. A fase científica foi lançada em 2024, sem retirada direta de peças, e a coleta tornada pública ocorreu em 2025, quando o governo colombiano exibiu os primeiros materiais levados à superfície.

Fase científica começou em 2024 e abriu caminho para a retirada

A etapa inicial do projeto começou em 2024 e percorreu 461.307 metros quadrados do leito marinho. Essa varredura identificou novas áreas de interesse arqueológico e ampliou o mapa do campo de destroços ao redor do navio.

Só depois dessa leitura do fundo do mar a missão avançou para a segunda fase, já com coleta seletiva. Foi nessa etapa que apareceram os cinco objetos e fragmentos apresentados oficialmente em Cartagena.

O que saiu do fundo do mar e por que isso pesa tanto

Segundo o MinCultura, ministério responsável pela política cultural do país, a segunda fase recolheu três macuquinasduas xícaras de porcelana e um canhão de bronze, além de fragmentos de porcelana, um fragmento de corda e sedimentos associados.

Após a retirada, o canhão foi mantido a 4 graus Celsius e as demais peças ficaram em água do mar para reduzir risco de corrosão e perda de estabilidade. O material entrou em processo de conservação e análise laboratorial.

Cañones hallados en el lecho marino del Caribe durante la exploración del galeón San José, naufragado en 1708 y convertido en uno de los yacimientos arqueológicos subacuáticos más disputados del mundo. Fonte: MinCultura

Moedas e porcelanas reforçam a identidade do San José

Um estudo acadêmico sobre as moedas vistas no sítio arqueológico apontou marcas de Lima e data de 1707, um indício forte de que o pecio pode ser mesmo o San José e de que o afundamento ocorreu depois desse ano.

As porcelanas chinesas e outros materiais associados ao navio também ajudam a reconstruir o comércio marítimo do século 18 e o percurso da carga que cruzava o Atlântico em plena guerra.

Naufrágio de 1708 ainda guarda uma dúvida central

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O San José afundou em 8 de junho de 1708 durante um ataque britânico perto de Barú. O navio levava cerca de 600 tripulantes e, segundo relatos históricos citados em documentos públicos, transportava algo perto de 11 milhões de moedas de ouro e prata.

Mesmo com a fama da explosão que teria destruído o galeão, a investigação recente mapeou 6.738 evidências no entorno do sítio e passou a considerar que o navio pode não ter afundado por uma explosão massiva, mas por outra sequência de danos, como falha no casco.

Foi realizada uma exploração arqueológica no leito marinho, cobrindo uma área de 461.307 m², equivalente a mais de 40 campos de futebol profissional. Fonte: MinCultura

Disputa bilionária segue aberta entre governos, empresa e indígenas

A batalha judicial continua. A empresa Sea Search Armada sustenta que tem direito a 50% do valor do achado e o caso internacional registra uma cobrança de cerca de US$ 10 bilhões contra a Colômbia.

Ao mesmo tempo, a Espanha sustenta que o galeão era um navio de Estado, enquanto representantes dos Qhara Qhara reivindicam vínculo histórico com parte da carga extraída de Potosí. O resultado é um impasse que mistura soberania, memória colonial e a ideia de patrimônio compartilhado.

A retirada dessas cinco peças mudou o debate porque transformou imagens do fundo do mar em evidência material sob análise. Agora a investigação pode comparar fabricação, origem e cronologia dos objetos com muito mais precisão.

O San José continua cercado por valor histórico, valor financeiro e uma disputa internacional sem solução. Para a Colômbia, o caso é de patrimônio cultural. Para os demais interessados, o naufrágio ainda está no centro de uma briga que pode se arrastar por a

Fonte https://clickpetroleoegas.com.br/

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