
Prefeitura apresentou ao DNIT projeto de R$ 260 milhões para elevar ferrovia de 1884 a sete metros no Pinheirinho. Debaixo dos trilhos, reurbanização completa. 300 famílias serão realocadas. Licitação prevista até 2028.
A Prefeitura de Criciúma apresentou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes em Brasília, na terça-feira 14 de abril, o projeto de elevação dos trilhos da Ferrovia Tereza Cristina no perímetro urbano da cidade. O plano prevê erguer a linha férrea a sete metros de altura no trecho entre o bairro Pinheirinho e o Rio Maina até o cruzamento com a Avenida Centenário, no bairro Milanese. O custo estimado é de R$ 260 milhões.
O prefeito Vaguinho Espíndola assinou um termo de cooperação técnica com o DNIT e apresentou um vídeo inédito mostrando como ficará o traçado elevado. Segundo ele, debaixo dos trilhos surgirá “uma nova cidade”, com reurbanização completa da área que hoje é ocupada por cerca de 300 casas construídas às margens da ferrovia.
Por que os trilhos em Criciúma são um problema?

A Ferrovia Tereza Cristina existe desde o período imperial. Os primeiros trilhos chegaram ao sul de Santa Catarina entre 1880 e 1884, instalados pela companhia britânica The Donna Thereza Cristina Railway Co. A ferrovia foi construída para transportar carvão mineral das minas de Lauro Müller até o porto de Imbituba, passando por Criciúma.
O problema é que a cidade cresceu ao redor dos trilhos. O que em 1884 era campo aberto virou bairro, comércio, escola, hospital. Hoje, a linha férrea corta o perímetro urbano de Criciúma no nível do solo, com passagens de nível que interrompem o trânsito, geram acidentes e dividem bairros inteiros. No Pinheirinho, 300 famílias construíram casas literalmente na margem da faixa de domínio ferroviário, em situação de vulnerabilidade.
A ferrovia continua operando. São 164 quilômetros de malha que transportam carvão para o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo. A concessão é privada, operada pela Ferrovia Tereza Cristina S.A. desde 1997. O governo manteve o uso do carvão até 2040 na reforma do setor elétrico, o que significa que os trens vão continuar passando.
O que o projeto prevê na prática?
A elevação de sete metros transforma a ferrovia em uma estrutura aérea semelhante a um viaduto ferroviário contínuo. Os trens passam por cima, e embaixo o espaço é liberado para reurbanização: ruas, calçadas, iluminação, áreas verdes e integração entre bairros que hoje são separados pela linha.
O projeto inclui a realocação das famílias que vivem na faixa de domínio. Em janeiro, a prefeitura já havia obtido junto ao governo federal um diagnóstico sobre a população em vulnerabilidade na região. As famílias serão transferidas para áreas no próprio Pinheirinho e no bairro Cristo Redentor.
A expectativa é que a licitação da obra ocorra ainda no primeiro mandato de Espíndola, que vai até 2028. A próxima etapa é chamar a Ferrovia Tereza Cristina S.A. para participar da construção do projeto e retornar a Brasília com parlamentares catarinenses para viabilizar os recursos.
Qual é o contexto dessa obra em Santa Catarina?
O prefeito classifica o projeto como pioneiro no estado. Santa Catarina enfrenta o mesmo problema em outras cidades cortadas por ferrovias, como Joinville, onde o Contorno Ferroviário está em construção para desviar os trens do centro da cidade. A diferença é que Criciúma não propõe um contorno. Propõe manter a ferrovia exatamente onde está e erguê-la acima da cidade.
Criciúma foi eleita a 4ª cidade mais inteligente do Sul do Brasil e a 16ª do país pela Rede Cidade Digital. O prefeito recebeu o título de Prefeito Inovador 2026 no Congresso Catarinense de Cidades Digitais, em abril. A cidade está estruturando uma PPP de Cidade Inteligente com iluminação LED, câmeras de videomonitoramento, telecomunicações e usina fotovoltaica.
A ferrovia elevada se encaixa nesse contexto. Não é apenas uma obra de engenharia. É uma decisão de redesenhar uma cidade inteira que nasceu em volta de uma linha de trem de carvão instalada por ingleses no século 19 e que, 142 anos depois, ainda corta o centro urbano no nível do chão.
R$ 260 milhões para erguer trilhos a sete metros. Debaixo, uma cidade nova. Em cima, carvão indo para a termelétrica até 2040. Criciúma é isso: passado e futuro dividindo o mesmo viaduto. O que você acha sobre essa construção?
Fonte https://clickpetroleoegas.com.br