Escrito por Cláudio da Costa Oliveira abril 2026
INTRODUÇÃO
Existe uma mentira central que sustenta boa parte do debate econômico brasileiro.
Uma mentira repetida por governos, imprensa e “especialistas”, que muda de discurso conforme o governante — mas nunca muda de essência.
Essa mentira começou a ser institucionalizada em 2014, no governo Dilma Rousseff, foi aprofundada por Michel Temer, radicalizada por Jair Bolsonaro e, surpreendentemente, não foi revertida pelo atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Mudam os discursos.
Mudam os slogans.
Mas o modelo continua o mesmo.
E é exatamente aí que está a mãe de todas as mentiras.
1. A GRANDE MENTIRA: O PREÇO INTERNACIONAL É O NOSSO PREÇO
A ideia central é simples — e profundamente equivocada:
O Brasil deve cobrar pelos seus próprios recursos naturais como se fosse um país importador.
Isso se aplica principalmente ao petróleo e aos combustíveis.
Criou-se o conceito de “paridade internacional”, como se o Brasil não fosse:
- produtor de petróleo
- autossuficiente em grande parte
- dono de reservas gigantes no pré-sal
Na prática, isso significa:
- cobrar em dólar dentro de um país que produz em real
- incluir custos de importação mesmo quando não há importação
- garantir margens extraordinárias para acionistas
2. 2014: O PONTO DE INFLEXÃO
Até 2014, o Brasil ainda tentava manter alguma lógica de política energética interna.
Com a crise política e econômica daquele período, consolidou-se a narrativa de que:
- preços devem seguir o mercado internacional
- a Petrobras deve agir como empresa privada
- o objetivo principal é remunerar acionistas
Foi aí que começou a ruptura.
3. TEMER E A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO MODELO
No governo Michel Temer, essa lógica virou política oficial.
A criação do PPI (Preço de Paridade de Importação) formalizou o seguinte:
- o Brasil passa a importar preços
- não importa o custo real de produção
- o mercado financeiro passa a definir a política energética
Resultado:
- aumento estrutural dos combustíveis
- transferência de renda para acionistas
- perda de soberania econômica
4. BOLSONARO: DISCURSO POPULAR, PRÁTICA FINANCEIRA
O governo Jair Bolsonaro criticava os preços altos — mas manteve a lógica.
E mais:
- ampliou dividendos da Petrobras
- reforçou a lógica de maximização financeira
- aprofundou a dependência do mercado
Ou seja:
reclamava do preço, mas mantinha a causa.
5. LULA: A EXPECTATIVA QUE NÃO SE CONFIRMOU
Com a volta de Luiz Inácio Lula da Silva, muitos esperavam uma mudança estrutural.
Mas o que se viu foi:
- ajustes pontuais
- mudança de discurso
- manutenção do modelo
Não houve uma verdadeira “abrasileirização” dos preços.
Não se adotou plenamente uma política baseada:
- no custo nacional
- na soberania energética
- no papel estratégico da Petrobras
6. FARINHA DO MESMO SACO?
Aqui está o ponto mais incômodo:
Apesar das diferenças ideológicas, todos os governos:
- aceitaram o mesmo modelo básico
- mantiveram a mesma lógica de preços
- operaram dentro da mesma estrutura
A divergência é mais de narrativa do que de prática.
7. A CONSEQUÊNCIA REAL
O resultado dessa “mãe de todas as mentiras” é claro:
- combustíveis mais caros do que poderiam ser
- custo logístico elevado
- inflação estrutural
- perda de competitividade industrial
E principalmente:
transferência contínua de renda do povo brasileiro para o sistema financeiro.
CONCLUSÃO
A maior mentira não é técnica.
É política.
É dizer que:
“não há alternativa”.
Há alternativa, sim.
Mas ela exige:
- coragem política
- enfrentamento de interesses
- redefinição do papel do Estado
Enquanto isso não acontecer, continuaremos assistindo à mesma peça:
- governos mudam
- discursos mudam
- mas o modelo permanece
Porque, no fundo…
todos operam dentro da mesma lógic
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