Santa Catarina produz até 7 vezes mais do que consome em alguns setores e suas indústrias centenárias fundadas por avós e bisavós hoje competem de igual para igual com a Alemanha e os Estados Unidos no mercado internacional

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Com a segunda estrutura industrial mais competitiva do Brasil e exportações que ultrapassaram US$ 11 bilhões, Santa Catarina consolida um modelo onde indústrias de raiz familiar, tecnologia de ponta, startups e universidades comunitárias transformaram um estado com pouco mais de 1% do território nacional em potência exportadora que vende para mais de 200 destinos no mundo.

Santa Catarina é um estado que desafia proporções. Ocupa pouco mais de 1% do território brasileiro, mas abriga uma das estruturas industriais mais diversificadas e competitivas do país com setores que produzem até sete vezes mais do que consomem, como a indústria têxtil. Em 2025, o estado fechou como a terceira economia que mais cresceu no Brasil, com avanço no comércio e na indústria três vezes acima da média nacional, e exportações que atingiram recordes históricos em carnes, motores elétricos e produtos de madeira.

O que torna o caso de Santa Catarina singular é a origem das empresas que movem essa engrenagem. Não são multinacionais transplantadas. São indústrias de raiz, fundadas por avós e bisavós de imigrantes europeus, que se modernizaram ao longo de gerações e hoje competem de igual para igual com a Alemanha e os Estados Unidos. Gilberto Seleme, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), resume: o industrial catarinense está inserido na sociedade junto da universidade, do SENAI, das associações de classe. O funcionário se sente fazendo parte da comunidade.

Indústrias de raiz: como empresas centenárias de Santa Catarina conquistaram o mundo

 história industrial de Santa Catarina está entrelaçada com a história das famílias que colonizaram o estado. Em cidades como Joinville, Blumenau, Brusque e Jaraguá do Sul, os fundadores das maiores indústrias foram imigrantes alemães, italianos e de outras origens europeias que trouxeram ofícios, disciplina técnica e visão de longo prazo.

Empresas como WEG, Embraco, Hering, Tupy e Marisol nasceram assim do trabalho de um fundador que plantou a semente, e gerações seguintes que a transformaram em operação global.

Esse modelo criou algo que Seleme descreve como “indústrias nativas” empresas que têm raízes profundas na comunidade onde operam.

O industrial de Santa Catarina não é um investidor distante; ele participa dos conselhos das universidades, integra as associações de classe do município e está presente no dia a dia da cidade. Essa integração entre fábrica e comunidade gera um senso de pertencimento que se reflete na qualidade da produção e na capacidade de inovar sem perder identidade.

O resultado é visível nos números. Em 2024, Santa Catarina exportou para mais de 200 destinos em todos os continentes. Os Estados Unidos foram o principal comprador, com US$ 1,74 bilhão em produtos catarinenses, seguidos por China (US$ 1,27 bilhão), México, Argentina e Japão.

A pauta de exportação é diversificada: vai de carnes de aves e suínos a motores elétricos, compressores, móveis e produtos têxteis todos fabricados por indústrias que nasceram no chão das famílias catarinenses.

A segunda estrutura industrial mais competitiva do Brasil: o que os números dizem sobre Santa Catarina

O Atlas da Competitividade da Indústria, elaborado pelo Observatório da FIESC, classifica a estrutura produtiva de Santa Catarina como a segunda mais competitiva do país, com índice de 0,167 praticamente empatada com São Paulo, que lidera com 0,168. A diversificação setorial e a especialização regional são apontadas como características estruturais que diferenciam o modelo catarinense.

Na prática, isso significa que quase toda cidade de Santa Catarina tem pelo menos uma indústria relevante em algum segmento. Joinville concentra metalurgia, mecânica e compressores; Blumenau e Brusque dominam o setor têxtil; o Oeste lidera na agroindústria de carnes; Criciúma e região têm a cerâmica; Lages e o planalto, a madeira. Essa pulverização geográfica evita a dependência de um único polo e distribui renda por todo o estado.

Em janeiro de 2026, Santa Catarina gerou mais de 11.600 vagas formais só na indústria e a cada cinco novos empregos industriais criados no Brasil, um foi em território catarinense. Os subsetores que mais contrataram foram confecção de vestuário, fabricação de alimentos e produtos têxteis.

Além disso, o estado conquistou a segunda colocação nacional em inovação e a terceira em potencial de mercado no Índice de Competitividade dos Estados as melhores posições já alcançadas desde a criação do indicador.

Florianópolis e as startups: como a tecnologia se conectou com a indústria tradicional de Santa Catarina

Se as indústrias centenárias são a espinha dorsal, a tecnologia é o sistema nervoso que está modernizando todo o organismo.

Florianópolis se consolidou como um dos maiores polos de startups do Brasil, e hoje 7% do PIB de Santa Catarina já vem de empresas de tecnologia, segundo dados citados por Seleme. Essas empresas não operam em bolha: elas atendem diretamente as indústrias tradicionais, fornecendo soluções de automação, gestão, logística e inteligência artificial.

O elo entre tecnologia e indústria em Santa Catarina não acontece por acaso. As universidades comunitárias espalhadas pelo interior do estado mantêm conselhos com participação direta de industriais, o que garante que a formação acadêmica responda às demandas reais do setor produtivo. Seleme destaca que “a academia e a indústria estão andando juntas” em Santa Catarina um modelo que combina pesquisa científica, formação técnica e aplicação prática.

Essa integração foi reconhecida nacionalmente: o estado ocupa a segunda posição em inovação no ranking de competitividade dos estados brasileiros.

Preparando a próxima geração: o convênio que coloca 30 mil jovens de Santa Catarina dentro do SENAI

Um dos maiores desafios para a continuidade do modelo industrial de Santa Catarina é a formação da mão de obra jovem. A tecnologia avança rápido, e o estado precisa garantir que os jovens estejam preparados antes mesmo de chegar ao mercado.

Para isso, um convênio entre a FIESC e o governo do estado abriu mais de 30 mil vagas para que estudantes do ensino médio façam o contraturno dentro do SENAI, descobrindo profissões e adquirindo qualificação técnica.

A lógica é simples e pragmática: quando o jovem termina o ensino médio, ele já está apto a trabalhar na indústria. Depois, faz a faculdade já empregado e com uma base técnica sólida.

O objetivo é mostrar à nova geração que onde há indústria há desenvolvimento, e que a fábrica é um lugar que oferece segurança e perspectiva de carreira. É a resposta de Santa Catarina a um problema que aflige todo o Brasil: a falta de mão de obra qualificada para a indústria em um momento em que a demanda por profissionais técnicos só cresce.

Os desafios que Santa Catarina precisa superar para manter a competitividade global

Apesar do desempenho impressionante, o caminho de Santa Catarina não é livre de obstáculos. O custo Brasil carga tributária, burocracia e infraestrutura deficiente continua sendo o principal entrave citado pelos industriais.

Seleme reconhece que as indústrias catarinenses são modernas e competitivas em qualidade, mas que esses custos sistêmicos “atrapalham um pouco” na disputa com concorrentes estrangeiros que operam sob condições mais favoráveis.

Outro desafio apontado pela FACISC é a dependência de poucos mercados internacionais, especialmente os Estados Unidos, que são o maior comprador de produtos catarinenses e que aplicaram tarifas comerciais que afetaram exportadores em 2025.

A educação básica também preocupa: Santa Catarina caiu no ranking educacional nos últimos anos, e a qualidade do ensino fundamental é a base de toda a cadeia de formação profissional. A expansão populacional acima do esperado pressiona habitação e infraestrutura urbana, tornando mais difícil atrair e fixar mão de obra qualificada um recurso que já é escasso.

O modelo catarinense: quando a indústria tem raiz, a competitividade tem futuro

O que Santa Catarina construiu ao longo de mais de um século não se replica com facilidade. É um ecossistema onde indústrias familiares centenárias coexistem com startups de tecnologia, onde universidades formam profissionais sob medida para o setor produtivo e onde o industrial mora na mesma cidade da fábrica.

Esse enraizamento cria uma cultura de pertencimento e compromisso que explica por que o estado produz tanto, exporta tanto e continua atraindo investimentos bilionários.

Com mais de R$ 32 bilhões em investimentos privados impulsionados desde 2023 e mais de 118 mil empregos projetados, Santa Catarina mostra que é possível ser competitivo globalmente sem perder a identidade local competir com a Alemanha e os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, honrar a herança dos avós e bisavós que fundaram as primeiras fábricas.

Fonte https://clickpetroleoegas.com.br/

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