Gigante asiática demite 100 mil funcionários para cortar gastos após faturar R$ 598 bilhões

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Nova estratégia global da fabricante de veículos elétricos busca otimizar a operação, proteger margens e adaptar a empresa ao novo cenário de concorrência

Gigante asiática BYD corta 10% da equipe em meio à guerra de preçosGigante asiática BYD corta 10% da equipe em meio à guerra de preçosFoto: BYD/Reprodução/ND Mais

A fabricante de veículos elétricos BYD deu início a um amplo processo de reestruturação global que resultou no corte de aproximadamente 100 mil postos de trabalho.

A  medida anunciada pela gigante asiática reduz em cerca de 10% o quadro total de colaboradores, que passará de 970 mil para perto de 870 mil ativos. O movimento ocorre de forma simultânea à divulgação do balanço fiscal de 2025, no qual a companhia reportou um faturamento anual recorde equivalente a quase US$ 116 bilhões, mas enfrentou pressões severas sobre a sua margem de lucros.

Em relação ao Brasil, os cortes globais da montadora afetam majoritariamente as operações na China, não havendo indícios de que o cronograma ou o quadro da nova fábrica em Camaçari (BA) sofrerão impactos. Pelo contrário, o mercado nacional e a expansão da unidade baiana seguem como parte estratégica da companhia para impulsionar suas exportações e recuperar as margens de lucro.

Sede da BYD no distrito de Pingshan, em ShenzhenFoto: BYD/Reprodução/ND Mais

Segundo o CarNewsChina, os desligamentos não estão ligados a uma queda brusca de demanda por automóveis. O enxugamento do quadro faz parte de uma campanha de eficiência corporativa estruturada para sustentar a competitividade e otimizar os custos de produção no longo prazo. O mercado automotivo na China, principal vitrine da empresa, passa por uma desaceleração no crescimento das vendas de carros elétricos.

Queda de lucro em meio a faturamento recorde

Ao encerrar o ano de 2025, a empresa registrou uma receita total de 803,9 bilhões de yuans, representando os cerca de US$ 116 bilhões. O montante histórico foi alavancado pelas vendas em volume expressivo, que totalizaram 4,6 milhões de NEVs (Veículos de nova energia) globalmente. O resultado manteve a marca à frente de sua principal concorrente direta, a Tesla, em números absolutos de mercado.

A Cidade BYD éo complexo industrial em Zhengzhou, China, projetado como uma “cidade-fábrica” autossuficiente.Foto: BYD/Reprodução/ND MaisA Cidade BYD éo complexo industrial em Zhengzhou, China, projetado como uma “cidade-fábrica” autossuficiente.Foto: BYD/Reprodução/ND Mais

Apesar do aumento das receitas, o lucro líquido recuou pela primeira vez em quatro anos. A fabricante contabilizou 32,62 bilhões de yuans (cerca de US$ 4,56 bilhões) de lucro em 2025, o que representa uma queda de 19% em comparação ao ano fiscal anterior. Segundo especialistas consultados pela imprensa internacional, a retração dos ganhos é o principal estopim para a decisão enérgica de reduzir o quadro de pessoal.

Guerra de preços no mercado automotivo

A redução na rentabilidade reflete diretamente o cenário de alta tensão comercial vivenciado na Ásia. A disputa acirrada entre as fabricantes locais impulsionou uma agressiva guerra de preços para atrair o consumidor. Com margens cada vez mais estreitas, a gigante asiática precisou repassar parte expressiva de seus descontos para os revendedores, sacrificando o resultado final.

Gigante asiática de veículos elétricos corta 100 mil vagas para reduzir custos de produçãoFoto: BYD/Reprodução/ND MaisGigante asiática de veículos elétricos corta 100 mil vagas para reduzir custos de produçãoFoto: BYD/Reprodução/ND Mais

A situação foi agravada pela redução dos subsídios estatais que o governo chinês oferecia para a compra de veículos eletrificados. Sem os mesmos benefícios tributários, o custo final da operação recaiu de forma mais pesada sobre o caixa das montadoras. A reestruturação de 100 mil vagas visa adequar o tamanho da corporação à nova realidade de margens operacionais mais apertadas.

Impacto na operação nacional e expansão internacional

Enquanto o ajuste afeta majoritariamente as operações administrativas e linhas de montagem na matriz chinesa, o mercado externo continua sendo a grande aposta de recuperação de margem. No balanço de 2025, a companhia ultrapassou a barreira de 1 milhão de unidades exportadas, consolidando sua forte presença internacional.

No Brasil, os impactos imediatos da redução global no quadro não foram detalhados, mas a companhia tem mantido o cronograma de instalação da nova fábrica em Camaçari, na Bahia, que pode gerar até 20 mil empregos.

Nova estratégia da gigante asiática fecha 100 mil postos após lucro cair 19% em 2025Foto: Emerson Lima/BYD/Divulgação/ND Mais

O cenário local de eletrificação ainda apresenta ritmo de expansão, impulsionando adaptações nas frotas e debates sobre infraestrutura nacional. A estratégia da montadora de produzir em solo brasileiro visa proteger as operações das altas taxas de importação e consolidar o país como polo de exportação na América Latina.

Perspectivas tecnológicas e novos investimentos

Para mitigar a queda na rentabilidade, a empresa projeta investir fortemente em tecnologias voltadas a baixar os custos logísticos e de produção. Isso inclui inovações na composição química das baterias LFP (lítio-ferro-fosfato) e a modernização nas etapas de estampagem e montagem. A meta é recuperar o patamar de lucratividade sem a necessidade de aumentar os preços dos veículos ao consumidor final.

A busca por eficiência marcará os próximos passos da indústria global de carros elétricos. Montadoras tradicionais europeias e norte-americanas já enfrentam desafios similares e preparam ajustes.

A decisão da companhia asiática evidencia que o setor entrou em uma fase de estabilização estrutural, onde a sustentabilidade financeira tornou-se tão prioritária quanto o lançamento de novos modelos de veículos sustentáveis.

BYD anunciou um novo pacote de investimentos no Brasil, incluindo R$ 300 milhões para um centro de P&D no Rio de Janeiro e a criação de 3 mil empregos na Bahia. A expansão da unidade de Camaçari visa a produção local e exportação, com a operação gerando milhares de empregos diretos e indiretos no setor de veículos sustentáveis.

Fonte informações de portais como CarNewsChina e CNEVPost

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