FALA SÉRIO 135, A Mãe de Todas as Mentiras – Introdução

Screenshot_3

Escrito por Cláudio da Costa Oliveira abril 2026

10 ANOS DEPOIS: O QUE FIZERAM COM A PETROBRÁS E O BRASIL

Neste mês de abril de 2026 estramos completando 10 anos dos eventos que deram origem à série “A mãe de todas as mentiras”, com artigos que vem sendo publicados, sempre em abril, desde então. Seus efeitos nocivos, que iniciaram a destruição da Petrobras e trouxeram perdas enormes à economia e ao povo brasileiros, serão, em boa parte, relatados nos Fala Sérios à seguir (135, 136, 137 e 138)

Em abril de 2016 começou a ser repetida, todos os dias, em todos os meios de comunicação, uma frase que mudaria o rumo da Petrobras e do Brasil:

“A Petrobras está quebrada.”

Esta foi, talvez,
a mãe de todas as mentiras.

Mas essa história não começou em 2016.

Começou em 2006,
quando a Petrobras descobriu o pré-sal.

Uma das maiores descobertas de petróleo do mundo.

A reação foi imediata.

Disseram:

“Não existe petróleo no pré-sal.”

Quando ficou evidente que existia, mudaram:

“A Petrobras não tem tecnologia.”

A Petrobras fez.

Com tecnologia própria.
Com engenheiros brasileiros.

Mudaram novamente:

“O custo é alto demais.”

Mas o pré-sal surpreendeu o mundo.

A produtividade elevada derrubou os custos
e transformou o Brasil em um dos produtores mais eficientes do planeta.

E então veio o próximo capítulo.

Entre 2009 e 2014, o preço internacional do petróleo subiu fortemente.

Chegou a cerca de US$ 90 por barril — e mais.

A Petrobras tomou uma decisão estratégica:

não repassar integralmente esse aumento ao mercado interno.

Durante esse período:

  • o Brasil teve combustíveis abaixo do preço internacional
  • a economia foi protegida
  • a inflação foi contida

E mesmo assim:

  • a Petrobras apresentou lucros
  • distribuiu dividendos
  • e fez o maior ciclo de investimento da sua história

De 2009 a 2014:

  • mais de US$ 200 bilhões investidos
  • geração operacional de caixa acima de US$ 25 bilhões por ano
  • liquidez corrente sempre superior a 1,5

Ou seja:

A empresa investia, gerava caixa, pagava dividendos
e mantinha equilíbrio financeiro.

Mas isso não era suficiente.

Parte da mídia queria outra coisa:

que a Petrobras cobrasse preços internacionais no Brasil.

Então veio 2015.

O preço internacional do petróleo despencou.

Chegou a cerca de US$ 35 por barril.

E o que aconteceu?

A Petrobras manteve os preços internos mais elevados.

Resultado:

abriu espaço para importadores.

Foi nesse momento que surgiu a narrativa final.

A mais poderosa.

A mais destrutiva.

“A Petrobras está quebrada.”

Baseada em quê?

Na dívida.
E em números contábeis que poucos entendiam.

Grande parte do chamado “prejuízo” veio de:

impairment.

Impairment não é dinheiro saindo do caixa.
É ajuste contábil.

Depende de premissas:

  • preço do petróleo
  • juros
  • câmbio
  • expectativas

O mesmo ativo pode valer 100 para um analista
e 80 para outro.

Mas isso não aparece nas manchetes.

A dívida era enorme, mais de US$ 100 bilhões. Mas o prejeto gigantesco. Nenhum banqueiro empresta pra empresa quebrada. Todos queriam participar. Se a Petrobrás pedia 5 elesofertavam10. Se a Petrobras pedia10 eles ofertavam 30.

De 2007 a 2015, período em que diziam que a empresa quebrou, as três principais empresas classificadoras de risco (Moody’s , Fitrch e Standard&Poors) deram o GRAU DE INVESTIMENTO à Petrobrás. Nunca mais obtido.

A empresa continuava:

  • produzindo
  • vendendo
  • gerando caixa

Mas o número contábil virou manchete.
E a manchete virou verdade.

No dia 28 de abril de 2016, chegou-se ao extremo.

Foi dito que a Petrobras teria apenas duas alternativas:

  • acordo judicial
  • ou aporte do Tesouro

para conseguir atravessar o ano.

Nada disso aconteceu.

A Petrobras seguiu operando.
Seguiu produzindo.
Seguiu gerando caixa.

Mas a narrativa cumpriu seu papel.

A partir daí, começou um novo ciclo.

Não de investimento.

Mas de desmonte.

Ativos estratégicos passaram a ser vendidos:

  • gasodutos (NTS)
  • distribuição (BR Distribuidora)
  • refinarias (como a da Bahia)

Ativos essenciais.

Partes fundamentais da cadeia integrada do petróleo.

A Petrobras deixou de ser uma empresa completa:

  • que produzia
  • refinava
  • distribuía

E passou a se concentrar em uma etapa:

a produção de petróleo bruto.

O Brasil fez o mesmo movimento.

De país com potencial para controlar toda a cadeia,
passou a exportar petróleo bruto
e importar combustível.

O mais grave?

O governo da época, que liderou os investimentos,
não conseguiu sustentar a estratégia.

Dez anos depois, o resultado está aí:

  • menos refino
  • mais importação
  • preços mais altos
  • dependência externa

A Petrobras não quebrou.

O que quebrou foi a visão estratégica do Brasil.

E quem paga essa conta?

Como sempre:

o povo brasileiro. COMENTÁRIOS, CRITICAS, SUGESTÕES: soberanobrasiles@gmail.com

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram