Novo motor de plasma russo com propulsão nuclear atinge 360 mil km/h e reacende debate sobre viagens a Marte em semanas

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Protótipo do motor de plasma desenvolvido pelo Instituto Troitsk utiliza hidrogênio ionizado e energia nuclear para gerar impulso contínuo no espaço profundo.

Tecnologia do Instituto Troitsk combina hidrogênio e reator nuclear para alcançar 100 km/s no espaço profundo

Uma inovação tecnológica de alto impacto científico foi apresentada recentemente por pesquisadores russos, atraindo atenção do setor aeroespacial internacional.
Instituto Troitsk, ligado à Rosatom, desenvolve um motor de plasma com velocidade de ejeção de 100 quilômetros por segundo, o equivalente a 360 mil km/h.
O projeto foi divulgado em 2024 por meio da agência estatal TASS e já passou por testes laboratoriais em ambiente controlado.
Se o desempenho anunciado for confirmado em condições reais, o tempo de viagem até Marte poderá ser reduzido de meses para semanas.
Esse avanço reposiciona a Rússia no debate sobre tecnologias de propulsão espacial avançada, tradicionalmente dominado por sistemas químicos.

Revisão técnica revela salto em desempenho frente aos foguetes químicos

O novo sistema funciona de forma distinta dos foguetes convencionais utilizados por NASA e SpaceX.
Enquanto motores químicos queimam combustível rapidamente para gerar impulso inicial, o motor russo utiliza campos eletromagnéticos para acelerar partículas de hidrogênio carregadas.
Segundo Alexei Voronov, Primeiro Vice-Diretor de Ciência do instituto, o sistema acelera prótons e elétrons a até 100 km/s.
Em comparação, foguetes químicos tradicionais atingem cerca de 4,5 km/s.
Essa diferença altera o padrão de eficiência, pois maior velocidade de ejeção reduz o consumo de combustível para atingir aceleração final superior.

Além disso, o motor não foi projetado para decolagem da Terra.
Ele deverá atuar como um rebocador espacial em órbita, oferecendo impulso constante por longos períodos.
Esse modelo favorece missões interplanetárias prolongadas e amplia o potencial de exploração do espaço profundo.

Arquitetura nuclear e hidrogênio como base energética

O projeto incorpora um reator nuclear embarcado, pois painéis solares não forneceriam energia suficiente para sustentar o sistema.
A potência anunciada alcança 300 kW em modo pulsado, superando padrões de propulsão elétrica atuais.
O combustível escolhido é o hidrogênio, elemento leve e abundante.
De acordo com o pesquisador Yegor Biryulin, a baixa massa atômica do hidrogênio permite aceleração mais rápida e menor consumo de combustível.

Além disso, o motor evita aquecimento extremo do plasma.
Dois eletrodos de alta tensão criam um fluxo direcionado, o que reduz desgaste estrutural.
Essa abordagem aumenta durabilidade e melhora a eficiência operacional.

Comparação entre sistemas de propulsão

• Motor químico clássico
Velocidade de ejeção: ~4,5 km/s
Fonte de energia: combustão química
Uso principal: lançamento

• Motor de plasma atual (como o da missão Psyche, da NASA, lançada em outubro de 2023)
Velocidade de ejeção: 30 a 50 km/s
Fonte de energia: solar/elétrica
Uso principal: manutenção orbital e sondas

• Novo protótipo russo
Velocidade de ejeção: 100 km/s
Fonte de energia: nuclear
Uso principal: viagens interplanetárias intensas
Potência: 300 kW

Testes, cronograma e desafios técnicos

O primeiro protótipo foi testado em uma câmara de vácuo de 14 metros, simulando condições espaciais.
Segundo o Instituto Troitsk, o motor operou por 2.400 horas contínuas, duração compatível com missão a Marte.
Esse resultado foi divulgado em 2024 e representa etapa relevante do desenvolvimento.

Entretanto, desafios técnicos permanecem.
O uso de um reator nuclear no espaço exige acordos internacionais e protocolos rigorosos de segurança.
Além disso, o controle térmico e a proteção contra radiação ainda demandam soluções adicionais.

Caso o cronograma seja mantido, testes em condições reais poderão ocorrer até 2030.
Até lá, avaliações técnicas e revisões de segurança continuarão sendo conduzidas.

O futuro da propulsão interplanetária

Especialistas acompanham o avanço com cautela.
Embora o desempenho anunciado seja expressivo, a aplicação prática dependerá de validações adicionais.
Ainda assim, o conceito de propulsão nuclear por plasma amplia as possibilidades de viagens interplanetárias intensas.

Diante desse cenário, a questão que permanece é: a próxima geração de missões a Marte será impulsionada por motores químicos tradicionais ou por sistemas nucleares de plasma capazes de redefinir a exploração espacial?

Fonte https://clickpetroleoegas.com.br/

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