
A decisão envolve acordo com órgãos ambientais, prazos definidos para o encerramento industrial e impacto direto sobre trabalhadores e moradores da zona Sul de São Paulo, após décadas de operação de uma fábrica histórica em Santo Amaro.
A Isover, empresa do Grupo Saint-Gobain, anunciou que encerrará as atividades industriais de sua fábrica de materiais de isolamento térmico e acústico em Santo Amaro, na zona Sul de São Paulo, até 31 de julho de 2026.
O cronograma está previsto em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), documento que estabelece prazos e condições para a desativação da planta industrial.
Pelo acordo, a produção de lã de vidro deverá ser interrompida até 4 de julho de 2026, enquanto o forno de fusão de vidro terá o funcionamento encerrado até o fim do mesmo mês.
Com a conclusão dessas etapas, o endereço deixará de operar como unidade industrial e passará a funcionar exclusivamente como centro de distribuição de produtos fabricados em outras unidades da companhia.
A medida atinge diretamente mais de 100 trabalhadores com vínculo direto com a fábrica, além de prestadores de serviços associados à operação.
Em nota divulgada à imprensa, a Isover informou que o encerramento ocorrerá de forma gradual e dentro do prazo definido no TAC, apontando que esse intervalo foi estabelecido para reduzir impactos sobre funcionários, clientes e a cadeia de fornecimento.
Termo de Ajuste de Conduta e regras para o fechamento
Instalada no bairro desde 1951, a unidade de Santo Amaro passou a concentrar questionamentos mais intensos nos últimos anos, em um contexto de ampliação da ocupação residencial no entorno.
Segundo o Ministério Público, o TAC estabelece um cronograma escalonado justamente para permitir o acompanhamento das etapas de desligamento industrial e a fiscalização das obrigações ambientais assumidas pela empresa.
Entre os pontos previstos no acordo está o encerramento definitivo das atividades produtivas e a mudança do perfil de funcionamento da unidade, que deixará de realizar processos industriais.
A partir dessa transição, o espaço passará a exercer apenas funções logísticas, sem operação de equipamentos industriais no local.
Reclamações de moradores e registros ambientais
Ao longo dos últimos anos, moradores da região relataram episódios recorrentes de odores intensos, emissão de fumaça e ruídos, com maior frequência, segundo os relatos, durante a madrugada.
Essas queixas foram registradas em audiências públicas, manifestações comunitárias e petições encaminhadas à Cetesb.
Durante debates realizados em instâncias institucionais, parte da população associou os episódios a desconfortos respiratórios, irritações nos olhos e na pele, além do impacto do barulho contínuo no período noturno.
Os relatos constam em registros de audiências e documentos apresentados aos órgãos ambientais, sem divulgação, nos autos públicos disponíveis, de laudos conclusivos sobre nexo causal individual.
A mobilização ganhou força em março de 2023, quando moradores protocolaram uma petição formal solicitando providências para conter emissões atribuídas à fábrica.
A partir dessas manifestações, o Ministério Público instaurou procedimento para apurar a situação e passou a acompanhar o caso em conjunto com a Cetesb.
Fiscalização da Cetesb e audiências públicas
Entre 2024 e 2025, o tema foi debatido em audiências públicas e reuniões que reuniram representantes da empresa, órgãos ambientais e moradores do entorno.
Em algumas dessas ocasiões, a Cetesb informou a aplicação de multas e advertências relacionadas a emissões de odores e níveis de ruído considerados irregulares.
Durante as discussões, moradores relataram funcionamento contínuo da unidade, inclusive no período noturno, além de episódios de liberação de fumaça pela chaminé.
As autoridades ambientais afirmaram, nessas audiências, que as reclamações vinham sendo analisadas por meio de fiscalizações e procedimentos administrativos.
O Ministério Público, por sua vez, informou que o TAC resultou desse processo de acompanhamento e negociação, com o objetivo de estabelecer uma solução definitiva para a atividade industrial no local.
O que diz a Isover sobre o encerramento
Em nota enviada à imprensa, a Isover confirmou a assinatura do TAC e reiterou que pretende cumprir integralmente os prazos acordados.
A empresa declarou que operava no local há mais de 70 anos e afirmou que suas atividades buscaram atender à legislação ambiental vigente, além de manter diálogo com a comunidade do entorno.
Sobre os empregos, a companhia informou que o encerramento gradual foi definido para permitir reorganização interna e reduzir impactos sobre os trabalhadores.
Em comunicações públicas sobre o caso, foram mencionados mais de 100 empregados diretos vinculados à unidade, além de trabalhadores indiretos que prestam serviços relacionados à operação da fábrica.
Até o momento, a empresa não detalhou como será feita eventual redistribuição de atividades nem se haverá realocação de funcionários para outras unidades.
Impacto econômico e relevância da multinacional
A Isover integra um grupo multinacional com mais de 9 mil colaboradores, presença em 39 países e 60 fábricas distribuídas em 28 nações, segundo informações institucionais da própria empresa.
Os produtos da marca são utilizados em setores como construção civil, indústria automotiva, agronegócio e infraestrutura, o que amplia o alcance da decisão para além do bairro onde a fábrica está instalada.
Com o encerramento da produção em Santo Amaro, a unidade passará a receber materiais produzidos em outras localidades para distribuição no mercado brasileiro.
A mudança encerra uma operação industrial histórica na zona Sul da capital paulista e redefine o uso do espaço, agora voltado exclusivamente à logística.
Com o cronograma acompanhado por órgãos de fiscalização, o fechamento passa a seguir datas estabelecidas, enquanto permanece a expectativa sobre como a transição será conduzida até julho de 2026 e quais impactos ainda serão sentidos por trabalhadores e moradores do entorno.
Fonte https://clickpetroleoegas.com.br/