FALA SÉRIO 125 Sem energia barata e estável, não existe crescimento sustentado.

nova

Escrito por Cláudio da Costa Oliveira janeiro 2025

INTRODUÇÃO

Toda economia moderna é, fundamentalmente, uma máquina de transformar energia em bens e serviços.
Quando a energia encarece, oscila ou torna-se insuficiente, a produtividade trava — e com ela o crescimento.

 1. A economia mundial esbarrou no limite energético

Desde 2008, o mundo vive:

  • juros baixos
  • estímulos monetários gigantescos
  • liquidez infinita
  • dívida recorde
  • injeções de trilhões

Mas mesmo assim o crescimento é anêmico.

A explicação real é simples:

O mundo não consegue expandir a oferta de energia de forma barata e estável.

A produção de energia barata acabou sendo ultrapassada pela demanda econômica, e isso cria um teto de crescimento.

 2. O petróleo barato acabou

O petróleo continua abundante, mas não o petróleo barato, de fácil extração.

Hoje, o petróleo barato da Arábia Saudita e do Golfo Pérsico é responsável por mais de 30% da oferta mundial.
O restante é petróleo caro:

  • pré-sal profundo
  • shale norte-americano
  • offshore ultra-profundo
  • areias betuminosas
  • poços maduros com custo elevado

Quando o custo energético para extrair energia aumenta, o crescimento trava.

Isso é o conceito de Energy Return on Energy Invested (EROEI):

Quanto mais energia você precisa gastar para obter energia, menos sobra para a sociedade produzir riqueza.

 3. Renováveis não substituem o petróleo em densidade nem estabilidade

Eólica e solar são úteis, mas têm três problemas graves:

1) Intermitência

Não geram energia quando os sistemas mais precisam.

2) Baixa densidade energética

É necessária uma área enorme para produzir pouca energia.

3) Dependência de minerais críticos

Que estão concentrados na China.

Ou seja, não resolvem a crise energética estrutural — apenas complementam.

 4. Energia nuclear foi demonizada — e isso tem um custo colossal

No pós-Chernobyl e pós-Fukushima, o mundo reduziu a expansão nuclear.

Resultado:

  • Europa ficou dependente do gás russo
  • EUA ficaram dependentes do shale caro
  • Ásia continuou dependente de carvão
  • Energia global tornou-se instável

A França, que apostou no nuclear, tem:

  • energia barata
  • energia constante
  • baixa emissão de carbono
  • indústria ainda competitiva

Os países que abandonaram nuclear perderam base energética e competitividade.

 5. A produtividade global estagnou por falta de energia barata

A partir de 2005–2010 vemos:

  • produtividade caindo no Ocidente
  • crescimento anêmico
  • indústria perdendo força
  • investimentos migrando para especulação
  • salários estagnados
  • desigualdade aumentando

Isso não é coincidência.
É consequência direta da perda de energia barata e abundante.

A economia só cresce quando:

Energia + Tecnologia + Capital → Produção

Se a energia encarece, a equação trava.

 6. A financeirização é consequência da crise energética

Quando o capital não encontra retorno produtivo (por falta de energia barata), ele:

  • especula
  • inflaciona ativos
  • cria bolhas
  • compra dívida
  • concentra renda
  • foge da economia real

A financeirização NÃO foi uma escolha voluntária dos governos.
Foi uma adaptação obrigatória diante da incapacidade de expandir energia suficiente para sustentar crescimento real.

A economia virou cassino porque a energia barata desapareceu.

 7. Impacto geopolítico: guerras e disputas por energia

A estagnação forçada pela energia limitada cria tensões geopolíticas:

  • Oriente Médio
  • Ucrânia
  • Mar do Sul da China
  • Venezuela
  • África (minerais críticos)

A competição por controle energético explica melhor a política externa do que ideologia ou democracia.

 8. O Brasil é um caso especial — e subaproveitado

Poucos países no mundo têm:

  • petróleo
  • gás
  • hidrelétricas gigantes
  • potencial eólico imenso
  • potencial solar extraordinário
  • biocombustíveis
  • etanol
  • nuclear
  • água abundante
  • minerais críticos

O Brasil poderia ser uma superpotência energética, mas não transformou energia em poder geoeconômico.

Se o Brasil produzisse energia nuclear em grande escala e captação solar industrial integrada à indústria, poderia:

  • atrair produção global
  • gerar crescimento sustentado
  • reduzir custo industrial
  • exportar energia transformada em produtos

Mas falta visão estratégica.

 9. A verdade incômoda

O mundo não está estagnado por falta de tecnologia.
Não está estagnado por falta de capital.
Nem por falta de trabalhadores.

O mundo está estagnado porque:

A matriz energética barata que sustentava o crescimento do século XX se esgotou.

Quando a energia barata acaba:

  • a produtividade despenca
  • o capital vira especulação
  • a indústria migra
  • os salários congelam
  • o crescimento some
  • a política entra em crise
  • o sistema parece “travado”

E isso é exatamente o que estamos vendo.

 Conclusão

A crise energética é a causa estrutural da estagnação global.

E não existe solução sem:

  1. energia massiva
  2. energia barata
  3. energia constante
  4. energia não-intermitente
  5. energia independente de geopolítica

O único candidato realista que atende esses requisitos é energia nuclear de nova geração.  Sugestões, comentários, criticas : soberanobrasiles@gmail.com

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram