Escrito por Cláudio da Costa Oliveira janeiro 2025
INTRODUÇÃO
O Brasil conseguiu criar uma aberração econômica inédita no mundo:
nossos fundos de aposentadoria não podem investir nos melhores ativos do país, mas os fundos da Noruega, do Canadá, dos Emirados Árabes, de Cingapura, dos EUA e da Austrália podem — e estão faturando bilhões com isso.
Um brasileiro não pode lucrar com o gasoduto que passa no quintal dele.
Mas um canadense pode, sentado em Ottawa tomando café.
Acha normal?
Fala sério.
- A Petrobras vende a NTS, a TAG, a BR Distribuidora — tudo joia da coroa.
O que acontece?
- fundos estrangeiros compram
- levam contratos garantidos por 20 anos
- recebem tarifas reajustadas pela inflação
- têm receita mínima mesmo sem uso (“ship or pay”)
- controlam monopólios naturais do país
E os fundos brasileiros?
Ficam assistindo de longe, proibidos, amarrados, acorrentados por regras que só existem aqui.
É como se o Brasil tivesse um trator potente na garagem, mas escolhesse cavar buraco com colher.
E por que os fundos brasileiros não entram?
Porque a regulação transformou os fundos de previdência em:
👉 espectadores, não participantes
👉 passivos, não estratégicos
👉 consumidores de CDI, não donos de infraestrutura
Enquanto isso, lá fora:
- fundos soberanos compram tudo
- fundos de pensão controlam aeroportos, rodovias e gasodutos do mundo inteiro
- investidores globais vivem de ativos de infraestrutura
Os aposentados do Canadá lucram com o gás que passa na rede brasileira.
Os aposentados da Noruega lucram com o combustível que abastece o carro do brasileiro.
Os aposentados de Singapura lucram com o transporte e armazenagem de petróleo no Brasil.
E o aposentado brasileiro?
Recebe CDI + 0,5% e agradeça.
- O regulador brasileiro criou o “conflito de interesse artificial”
O fundo de pensão da Petrobras não pode comprar ativos vendidos pela Petrobras, porque pode parecer conflito de interesse.
Mas algum regulador perde o sono quando:
- a Brookfield compra
- o Mubadala compra
- a GIC compra
- a BlackRock compra
Para estrangeiro não tem conflito.
Para brasileiro, tem.
Se a Petros compra, é arriscado.
Se um fundo árabe compra, é “modernização”.
Se um fundo estrangeiro leva 12% ao ano com inflação garantida, é “investimento estratégico”.
Se um fundo brasileiro tenta fazer o mesmo, é “falta de prudência”.
Quem inventou essas regras?
Porque não foram os países que ficaram ricos com seus fundos de pensão.
- A verdade incômoda
A verdade é simples e desagradável:
O Brasil estruturou sua regulação para impedir que capital nacional controle a própria infraestrutura.
Criou-se um ecossistema onde:
- o estatal não pode
- o fundo brasileiro não pode
- o investidor local não pode
- o banco público não pode
- o BNDES não pode
Mas o estrangeiro pode tudo.
Podem comprar refinaria, gasoduto, distribuidora, porto, rodovia, aeroporto.
Podem impor tarifa, impor reajustes, impor contratos de longo prazo.
A única coisa que os estrangeiros não podem fazer é perder dinheiro.
Porque o Brasil não deixa.
Resultado?
Terceirizamos a renda do país para os fundos de aposentadoria dos outros.
- ativos estratégicos saem por preço de ocasião
- receita garantida vai para fora
- lucro previsível vai para fora
- dividendos vão para fora
- controle vai para fora
- poder econômico vai para fora
E o Brasil fica com o quê?
Com a conta.
- O que deveria ter acontecido?
NTS, TAG, BR Distribuidora, Liquigás, refinarias, gasodutos e termelétricas deveriam ter sido:
- consolidadas por consórcios brasileiros
- lideradas por fundos de pensão nacionais
- com participação da Petros, Previ, Funcef, Postalis
- com financiamento estruturado do BNDES
Isso teria:
- mantido o controle no Brasil
- gerado renda para aposentados brasileiros
- fortalecido o mercado de capitais nacional
- reduzido dependência externa
Mas isso jamais aconteceu, porque a regulação foi desenhada para impedir.
CONCLUSÃO
O que fizeram com os fundos de previdência brasileiros é uma das maiores distorções econômicas do país.
Não é técnica.
Não é acaso.
É sistema.
Enquanto o Brasil não mudar a regulação e a visão de soberania financeira, vamos continuar exportando:
- petróleo,
- minério,
- energia,
- e agora até lucro de infraestrutura.
E o brasileiro?
Fica com o boleto.
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