Um novo estudo baseado em dados de mais de 10 mil veículos elétricos revelou como as baterias desses modelos se degradam ao longo do tempo. A análise, conduzida a partir de informações de telemetria da Geotab, ajuda a responder uma das dúvidas mais comuns de quem considera migrar para a mobilidade elétrica: quanto essas baterias realmente duram na prática.
Os resultados indicam avanços importantes na tecnologia. Enquanto levantamentos feitos em 2019 apontavam uma degradação média anual de 2,3%, dados atualizados de 2024 mostram uma redução para cerca de 1,8% ao ano, reforçando ganhos em durabilidade e eficiência dos sistemas atuais.
Na prática, a taxa de degradação das baterias obtida pela Geotab significa que a maior parte dos veículos elétricos deve manter boa autonomia por mais de uma década. Segundo a Geotab, caso o ritmo de degradação permaneça estável, muitas baterias podem ultrapassar 20 anos de vida útil, cenário especialmente relevante para gestores de frotas e metas de redução de emissões.
O estudo também confirma que a perda de autonomia ocorre de forma gradual. Mesmo com a degradação natural, os veículos elétricos preservam grande parte de sua capacidade energética ao longo dos anos, o que sustenta seu valor de uso no longo prazo e reduz a ansiedade relacionada à autonomia.
Entre os fatores que mais influenciam a saúde da bateria estão temperatura, estado de carga, tipo de carregamento e sistema de gerenciamento térmico. Climas extremos aceleram o desgaste, enquanto manter a carga entre 20% e 80% ajuda a reduzir o estresse químico das células.
O método de recarga também faz diferença. O estudo aponta que o uso frequente de carregamento rápido em corrente contínua (DC) tende a acelerar a degradação, principalmente em regiões quentes. Já o carregamento em corrente alternada, mais lento, apresenta impacto bem menor na saúde da bateria.
Outro dado relevante envolve o sistema de resfriamento. Modelos com resfriamento líquido demonstram taxas de degradação significativamente menores do que aqueles com resfriamento a ar. Como exemplo, o Tesla Model S de 2015 apresentou média de 2,3%, enquanto o Nissan Leaf do mesmo ano chegou a 4,2%.
Curiosamente, o uso intenso do veículo não se mostrou um vilão. A pesquisa indica que carros elétricos muito rodados não apresentam degradação significativamente maior do que veículos pouco utilizados, desde que operem dentro da autonomia prevista e evitem recargas rápidas constantes.
A análise também detalha o conceito de Estado de Saúde (SOH) da bateria, métrica que indica quanto da capacidade original ainda está disponível. Uma bateria com 90% de SOH, por exemplo, entrega efetivamente 90% da energia inicial, algo que, na maioria dos casos, não compromete o uso diário.
Para prolongar a vida útil, o estudo recomenda práticas simples, como reduzir exposição prolongada ao calor, evitar deixar o carro totalmente carregado ou descarregado por longos períodos e priorizar carregamentos mais lentos sempre que possível.
Com base nesses dados, a Geotab conclui que as baterias de veículos elétricos estão se degradando mais lentamente do que muitos imaginam. Seguindo boas práticas de uso e carregamento, os VEs podem substituir veículos a combustão com folga, oferecendo durabilidade compatível ou até superior à vida útil do próprio automóvel.
Fonte https://www.tudocelular.com/